quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Muito além da monografia

monografia
Clique na imagem e veja a fonte
Todo estudante do curso de Ciências Econômicas precisa enfrentar a saga da monografia para receber o tão esperado título de Bacharel. Eu passei por isso em 2010, confesso que me dediquei em níveis muito inferiores ao que precisava. Entre outras razões, meu futuro profissional estava em jogo, eu não soube conciliar muito bem o trabalho final de graduação e as resoluções que devia tomar fora da universidade.

De qualquer maneira, a monografia é a oportunidade de apresentar suas competências e habilidades adquiridas ao longo do curso. Meu orientador disse que monografia trata-se de uma revisão bibliográfica comentada. Assim, ao longo da produção do trabalho, o aluno precisa aprender novos conceitos e estruturá-los aos que já conhece e produzir algo relevante. Muitas vezes, porém, ao terminar de apresentar o seu trabalho, poucos alunos podem agradecer pelo sentimento de contribuição acadêmica. Evidentemente, este é um ponto de vista pessoal, mas não acredito ser muito distante da realidade de tantos outros colegas.

Estão presentes, ainda, as grandes dificuldades que o aluno enfrenta em seu trabalho como: arrependimento da escolha do tema, dificuldade de encontrar a metodologia correta, problemas com as referências bibliográficas, tempo do aluno concorrido com outras atividades e, por que não dizer, problemas com a orientação.

Nessa fase acadêmica, alunos e professores levantam a bandeira dos conhecimentos que são necessários para a formação de um profissional, mais especificamente de um economista. O economista precisa saber isso e aquilo, ser capaz de raciocinar desse e daquele jeito, precisa compreender esta e aquela teoria. Pouco se discute, porém, em que somos úteis à sociedade.

Já comentei por aqui algumas vezes, que todo aluno de economia sofre com aquelas perguntas de familiares e amigos sobre o que faz o economista. As pessoas sabem definir as atividades básicas de um engenheiro, médico, advogado, contador, administrador, arquiteto, paleontólogo e outras profissões. Mas o que faz o economista? E a pergunta mais delicada, para que a sociedade precisa de um economista? Viveríamos muito bem sem esse profissional.

Sou partidário da ideia de que nenhum conhecimento é inútil, mas existem profissionais inúteis. Esse meu posicionamento é em relação ao profissional de uma ciência e não de toda ela. Toda ciência precisa ser útil, do contrário ela não passa de uma coletânea para distrações em noites de insônia. A teoria não precisa ser igual à prática, nem a realidade precisa ser idêntica à teoria, mas se elas não se cruzam nunca, qual a finalidade dela senão servir para confabulações retóricas?

Não desejo aqui inflamar o ódio a todos que estudam sem a preocupação dessa contribuição, trata-se apenas de uma análise de toda uma vida acadêmica e profissional. Durante a graduação, não podemos opinar, não somos incentivados a inovar o conhecimento e quebrar paradigmas. Na monografia, somos adestrados a repetir o que já foi dito, pois não alcançamos, ainda, a essência do conhecimento para sustentar qualquer tese. Se quiser atingir esse objetivo, o aluno deverá estudar mais, produzir artigos, encarar um mestrado e depois um doutorado e aí sim, ser alguém útil.

Por isso mesmo, muitos alunos buscam a especialização latu sensu para que possam utilizar seus conhecimentos em sua carreira e, desta forma, contribuírem com o desenvolvimento da profissão. Devo resguardar-me dos possíveis ataques, não estou afirmando que o doutorado é pior ou não que o MBA e afins. Quero definir, os sentimentos diversos que um recém-formado economista possui e que os leva para caminhos distintos dali em diante.

Na pós-graduação, o aluno precisa compreender que sua responsabilidade é ainda maior. Ele escolheu sua área de especialização, já teve a oportunidade de compreender os fundamentos básicos de sua carreira e o que ele aprenderá será utilizado efetivamente em sua rotina. Da mesma forma, seu trabalho de conclusão de curso deve contribuir com a academia ou com algum grupo de profissionais do ramo. Creio ser esse o verdadeiro motivo em que os alunos se apeguem em sua trajetória, obter conhecimento e produzir respostas tangíveis.

Esse ano, eu apresentarei meu trabalho de conclusão da pós-graduação em Gestão Pública e espero que ela seja útil para mim, para outros profissionais e para a instituição em que atuo, pois é para isso que fiz o curso. Muito mais que pela aprovação, os alunos deveriam ser movidos pelo desejo em expandir o conhecimento, não somente dele, mas de toda a comunidade envolvida em sua área científica.


6 Comentários
Comentários

6 comentários:

  1. Aí, Daniel:
    Bela reflexão. Vi uma imagem interessante sobre o que faz um economista: seria o equilibrista em um muro. Vê, num lado, o mercado e, no outro, a empresa. Se ficar no muro, talvez possamos pensar nama ação de governo responsável pela regulamentação da atividade privada e da promoção do crescimento econômico com equidade distributiva.
    DdAB

    ResponderExcluir
  2. Ao mesmo tempo em que parece não ser nada, o economista pode ser tudo. Há muitos objetos de investigação, mas ainda muito difícil no começo disso tudo. Valeu Duilio.

    ResponderExcluir
  3. Daniel, bom dia!

    Iniciar a semana lendo seu texto, provocou em mim a importância de "provar" que economia é uma ciência que agrega valor à sociedade.
    Sempre que possível e na fazenda consigo conexão à internet, leio seus textos e fico feliz em ter um colega com boas ideias.

    Uma ótima semana.

    ResponderExcluir
  4. Olá João, comentário vindo de você é uma honra. Tenho mesmo problema com a internet, que impede postagens com maior frequencia. Do restante, esperamos novos profissionais para mudar esse jeitao da economia.

    Abraços

    ResponderExcluir

Comente sempre que quiser. Não moderamos os comentários, mas os mesmos serão excluídos caso:

1. Ofendam a dignidade dos autores, outros leitores e outras pessoas.
2. Critiquem os textos ou comentários sem fundamentação.
3. A intenção seja apenas causar desordem.
4. Quando tiver caráter ilegal.

Toda vez que um comentário for excluído, informaremos o motivo. Sinta-se a vontade para comentar novamente se você entendeu a proposta deste blog.

Lembre-se, este blog não é um blog profissional e mesmo que alguns textos não correspondam as ideias atuais dos autores eles serão mantidos para mostrar a evolução do posicionamento dos mesmos.

Caso queiram melhorar ou contribuir com os textos do AE, fiquem a vontade!

Obrigado.