segunda-feira, 26 de março de 2012

Bullying

Nenhuma das pessoas que conheci quando criança na escola faz parte de meu círculo social atualmente. A principal razão disso foram as dificuldades de relacionamento da época. Insultos e humilhações era uma realidade diária para mim. Pode até ser que se um dos meus antigos colegas ao apreciar este texto dirá que estou exagerando, mas acontece que somente quem sofre com as agressões é que sabe onde e como dói.

As crianças são os mais perfeitos retratos das imperfeições humanas. Quando crescemos, nem sempre deixamos de pensar ou agir como outrora, apenas aprendemos uma lição com a vida, a de que tudo tem consequência. Humilhações quando na fase adulta podem culminar em conflitos violentos ou no enquadramento em alguma penalidade.

Na modernidade, os psicólogos e doutores em diversas áreas iniciaram uma campanha com um termo estrangeiro no centro da bandeira: bullying. O bullying é toda forma de agressão física ou psicológica praticada repetida vezes e intencionalmente. Atualmente, existem diversos trabalhos científicos sobre o assunto e intensos e interessantes debates.

Apesar do tema ter surgido com intensidade apenas nos últimos anos, essas agressões ocorrem há muito tempo, em várias fases da vida e em todos os países do mundo. Aqueles filmes americanos que mostram um valentão da escola batendo em um garoto nerd e o prendendo no armário são bem conhecidos há muito tempo, mas agora existe um termo britânico para aquele fenômeno que também ocorre no Brasil.

Algumas propagandas querem convencer que todos perdem com o bullying, a vítima e o agressor, mas certamente a vítima terá cicatrizes mais profundas e doloridas e o agressor muitas vezes se quer lembrará ou terá consciência do nível de sua agressão. A sociedade perde com qualquer tipo de violência, seja ela física ou psicológica, pois pessoas submetidas à violência tendem a ser tornarem agressivas, com algum problema de relacionamento ou tantas outras dificuldades que afetarão seu trabalho, convívio familiar e acadêmico.

Entretanto, piores que os acéfalos agressores, são os desalmados expectadores da agressão, que em sua maioria não agem de forma a desmotivar o impulso selvagem daquele que agride. Quando quem assiste a violência se omite, alimenta ainda mais a repetição daquele caso. Um exemplo pessoal, quando fui alvo de bullying, os professores se quer chamavam a atenção dos agressores, a turma achava a cena engraçada e a violência prosseguia.

Deste modo, qualquer violência deve ser encarada como uma afronta pela sociedade. De nada adianta dizer que a violência é um dos grandes males de nossa sociedade, quando você assiste aos casos e se omite e demonstra sua indignação em locais errados, como na mesa de um bar ou em redes sociais. Se a sociedade repudiasse a violência, não haveria espaço para ela, mas se existe é porque, de algum modo, já nos acostumamos.

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6 Comentários
Comentários

6 comentários:

  1. Prezados, deixe eu compartilhar algo com vocês:

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1256

    Estudo a escola austríaca por hobby, mas não sou lunático, nem fanático, gosto de Hayek, de Mises, mas não os venero. Primo pela lógica e pelos fatos acima de tudo.

    Havia visto este post neste site que se diz "austríaco". O post é uma afronta à razão. Interpreta Friedman de maneira completamente equivocada, é analfabeto em relação ao escopo dos métodos quantitativos, e ainda fala algo trivial como se fosse A teoria econômica: se a demanda aumentar preços aumentam.

    Todavia, como sabemos, preços são definidos por oferta e demanda... então, supondo uma oferta perfeitamente elástica por exemplo, aumento de demanda não implica em aumento de preços. Fora do ambiente concorrencial também é fácil pensar em inúmeros exemplos em que aumento de demanda não implique em aumento de preços.

    Eu e outro indivíduo tentamos mostrar esse fato para os lunáticos mas fomos censurados (eles não divulgam todas as respostas) e a conversa se deu como se conversássemos com asnos arrogantes. Os sujeitos não sabem um conceito sequer de lógica, falam tudo sem qualquer preocupação, não sabem sequer definir seus conceitos...

    Enfim, gostaria de compartilhar isso aqui neste blog (e em outros) pois como lá eles não publicam os comentários fica difícil se expressar.

    Desculpe-me o dono do blog pelo importuno.

    Muito obrigado pela atenção.

    Daniel

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  2. Caro Daniel,
    obrigado por compartilhar seu comentário, ainda não tive a oportunidade de ler o artigo, mas o farei o mais breve possível.

    Eu aprendi que a beleza das ciências sociais está no debate, sem ele sinceramente nnnão haveria o porquê do estudo da economia.

    Refutar é uma arte e não podemos retirar esse dom do economista.

    Em outra oportunidade já havia comentado que quando alguém ataca a moral do argumentador e esquece de apontar as falhas do argumento, esse não merece o diploma que conquistou.

    Não sei bem como se deu o debate, mas ficaria muito triste se o portal Mises agiu com arrogância como foi dito por você.

    Acontece, que as pessoas tratam o posicionamento ideológica como uma crença, mesmo que você apresente bons contra argumentos, elas preferem ignorá-los.

    Enfim, obrigado por compartilhar e sinta-se a vontade para retornar.

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  3. Primeiro sobre os maus tratos promovidos por "colegas" contra outros em qualquer lugar, em qualquer cidade e em qualquer fase da vida.
    Essa violência tem de ser combatida e não só com as politicamente corretas "medidas sócio-educativas". Devem ser tratadas visando o ser humano que está sendo formado: o agredido e o agressor. Afinal, o que se quer do ser humano daqui uns 20 anos? E ai, acabar com esses estatutos, essas ideologias politicamente corretas que só deixam a vítima mais inibida e insegura.

    Sobre os debates. Na rede, às vezes está difícil entender os debates. Por exemplo, percebe-se que o BCB, a Fazenda e o governo todo, estão pouco refratários à inflação acima da meta. Ou mesmo acima do centro da meta, 2,5%. Enquanto, comemoram o PIB de 2,7% e inflação de 6,5%,em 2011. E afirmam, sem paura alguma, que a economia está estável e em rota de crescimento sustentável!!!

    Dessa forma não há escola teórica que resista. Não faz muito tempo, situações como as atuais, derrubavam a credibilidade de governos e geravam miríades de medidas estabilizatórias.
    Hoje, tais debates são neutros e acabam, em tese, mantendo a crença do governo que tudo está indo muito bem.

    Terminando, apesar disso tudo, há quem compare a situação da economia brasileira até coma a economia dos EUA, da UE, para dizer que estamos indo muito bem...em direção ao abismo.

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  4. Boa crítica, parece que estamos em uma fase bem paradoxal. Ao passo que estamos em um universo globalizado, onde as informações se espalham rapidamente, as pessoas estao apenas repetindo as velhas opinioes e pouca coisas fazem para alterar o cenário.

    Obrigado pela visita e pelo comentário.

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  5. Se permite um complemento. No caso dos que praticam coação em escolas e em outros lugares, os expectadores realmente poderiam ser tomados como os mais insensíveis. Poder-se-ia afirmar até poderem ser responsáveis pela continuidade dos abusos.
    Isso por, além de não intervirem, fazem a divulgação gratuita do pretensamente forte, como forte e do pretensamente fraco como fraco.
    E o coagido fica só.

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  6. Sim, na verdade esse é o ponto. Como apresentei uma experiência pessoal, posso afirmar que o que mais humilhava não era o agressor, mas os que envoltam riam da situação e os que nada faziam.

    Obrigado mais uma vez.

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