A academia econômica tradicionalmente catequiza que a essência do ciclo econômico ocorre de maneira simples e imutável. O agente econômico utiliza os recursos que são dados pela natureza, transformam esses recursos promovendo o que chamam de criação de riqueza e distribuem essa riqueza para a sociedade.
Os economistas atentam-se para a criação da riqueza e sua distribuição. Como cientistas especializados em alocar de modo mais eficiente os recursos, os economistas buscam formas de aprimorar cada vez mais a produção de riqueza pelos agentes econômicos.
Sob a lente da produção, a cartilha instrui para a focalização do lucro. Por mais amoral que possa soar aos ouvidos desprevenidos, o lucro é o motor gerador do crescimento econômico de uma sociedade. O lucro, grosso modo, é o retorno esperado pelo agente após investimento no processo produtivo, descontado o custo com a manutenção da atividade lucrativa.
O ser humano, revestido de seu caráter hedonista, transforma um material com baixo valor agregado em algo útil e de alto valor. Essa transformação gera renda para o transformador e riqueza para a sociedade. Não é excessivo lembrar-se dos ensinamentos do grande pai da economia, Adam Smith.
Ora, pois, se esta renda é tida como o motor que promove o crescimento econômico, qualquer situação em que esse motor esteja exposto a ataques será considerada como nociva a todo o sistema econômico.
Em contabilidade, lucro é simples aritmética, a declaração do faturamento descontados os custos da produção e os demais encargos financeiros. Dessa maneira, evidentemente, para que haja aumento do lucro deve haver aumento da receita e redução dos custos. Geralmente, essas ações ocorrem de maneira simultânea.
No alcance desse objetivo surgem os termos muito comuns para os empresários: produtividade, eficiência, qualidade, tecnologia, inovação e etc. As estratégias perpassam pela diluição dos custos e pela conquista de maiores parcelas do mercado. O que importa é que qualquer coisa que interfira na capacidade de crescimento de maneira direta deverá ser sumariamente banida do sistema.
Mas o que ocorre com a administração dos recursos que darão origem a toda riqueza da sociedade? Existem correntes que afirmam que os recursos são dados. Essa simplificação implica na aceitação de que o material que dá base para a transformação de riqueza não pode ser alterado pela ação econômica.
Os recursos são limitados, concordarão alguns, mas não há nada que os movimentos do sistema possam alterá-los sem que acarretem perdas ao próprio processo de transformação de riqueza. Mais uma vez, os crentes desse paradigma refutam toda e qualquer ideia de desvio de recursos da produção para projetos relacionados à esfera ambiental e social.
E essa ideia é demasiadamente disseminada pela academia, tanto que os profissionais formados são tomados de surpresa quando fazem parte da equipe executiva de uma empresa e são exigidos a incorporar ideias como sustentabilidade e promoção social. Não é por outro motivo que administradores, contadores e outros profissionais deixam para trás talentosos economistas em posições estratégicas de grandes empresas. Pelo simples fato de serem incapazes de compreender como uma empresa privada possa manter seus níveis de lucratividade, ao passo em que devem dar atenção às questões ambientais e sociais da região em torno.
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