Passei quatro anos de minha vida acadêmica sendo convencido de que a finalidade precípua da faculdade é dar bases teóricas para a realidade econômicas. Fundamento a la Friedman que afirma que se a realidade não corresponde á teoria, pior para a realidade.
Perdi as contas de quantas vezes ouvi de professores e colegas de faculdade o argumento de que a Ciência Econômica não se propõe a explicar o universo econômico. Observei em toda essa trajetória, alunos e professores brilhantes, mas incapazes de compreender o porquê de fenômenos simples em sua volta.
Em todo esse período, decorei e devorei livros de economistas mortos e estrangeiros. Sugerindo que economistas vivos e brasileiros são espécies em extinção. Os poucos brasileiros notáveis são bandeirantes das promessas estadistas de desenvolvimento.
A matemática é de longe a disciplina mais abstrata de nosso emaranhado de ciências. Podemos afirmar com segurança, no entanto, que a matemática é capaz de explicar o universo. Isso, pois, a matemática é base para a física, química, engenharias e tantas outras disciplinas que servem como arcabouço para explicar diversos fenômenos do universo.
Mas quem nunca ousou questionar ao seu mestre no ensino médio, qual a finalidade de aprender trigonometria, geometria analítica e números complexos? Isso significa dizer que ser uma ciência “explicadora” não necessita que a sua aparência seja menos abstrata.
Uma ciência para merecer tal título, mesmo que embriagada de abstratismo deve subsidiar proposições concretas para compreender e manipular os fenômenos da realidade. Dessa forma, mesmo que a Ciência Econômica não seja capaz de explicar o universo, ela deve permitir que o cientista faça aferições lógicas sobre o meio onde ele atua.
Muitos alunos aprendem rápido que quando o real está valorizado a tendência é de aumento das importações. Mas não compreendem quando a realidade apresenta um real forte preservando o saldo da balança comercial positiva. E qual a surpresa em ver um aluno de economia não saber responder por que o preço do leite da padaria da esquina da sua casa aumentou muito nos últimos meses?
Enfim, o graduado em economia não precisa saber todas as respostas. Nenhuma faculdade vai propiciar isso para seu estudante. Mas a preocupação de qualquer faculdade séria é a formação de profissional competente. Assim, deveria ser a tarefa principal do curso de economia a formação de profissionais capazes de usarem o que aprenderam em sala de aula e realizar mudanças.
Nada mais me irritava do que ouvir as pessoas dizendo que se eu quisesse aprender algo além das teorias abstratas, eu deveria estudar sozinho. Bem, então perdi muito tempo indo à faculdade, já que nada de útil poderiam me oferecer. Certamente, que o bom aluno não irá se limitar as coordenadas dadas pelos professores, mas irá devorar os livros e artigos diversos em suas atividades extraclasses.
Ocorre, porém, que fui obrigado a engolir os intragáveis economistas mortos. O cardápio monótono era recheado de modelos ultrapassados, filosofias medíocres e textos repetitivos. Professores, que apesar de brilhantes, passaram muitos anos ministrando as mesmas aulas, que se tornaram verdadeiros papagaios. E claro, fizeram excelentes discípulos.
É inadmissível pensar em um cientista incapaz de extrapolar o que foi aprendido, que deve sim, apreciar as contribuições de pensadores do passado, mas capazes de ir além e expandir o conhecimento.
Aprendi em toda minha vida que a experiência é o que solidifica o conhecimento. Mas acompanhei o argumento de que o mestre e o doutor não podem ser refutados por leigos ou graduandos. De fato, ninguém pode contestar o sábio e conhecedor do mundo dos manuais, a faculdade de economia é, portanto, formadora de papagaios de pirata, a mais alta classe acadêmica de todos os tempos.
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que desabafo, hein, meu!
ResponderExcluirDdAB
Pois é, um dia viria esse desabafo!
ResponderExcluirObrigado caro Duilio.
Abs
Concordo plenamente contigo!
ResponderExcluirAbraço.
Obrigado pela visita e pelo comentario Dágina.
ResponderExcluirAbraços
Olá Daniel!
ResponderExcluirFui criticada por alguns colegas de curso um dia desses, por fazer esse tipo de análise do curso de Economia. Gosto muito do mesmo, mas as metodologias aplicadas não me convencem...