segunda-feira, 1 de março de 2010

A crise e o velho debate

Aparentemente, os economistas brasileiros na atualidade estão lançando mão do recurso histórico em suas análises. E isso independentemente da posição teórica defendida. Estão se valendo de fatos históricos como argumentação de cenários futuros. A esperança de a história ser elemento incontestável e logo assim, a argumentação também ser infalível.

Acontece que a história é passível de interpretação. Somos capazes de tornar, manipulando os fatos, heróis em vilões.O atual debate infantil sobre quem é culpado da crise ainda não acabou. Os mestres e doutores travam uma medieval batalha entre os neoliberais xiitas e os defensores do Estado babá.

Vale acompanhar ambos argumentos fundamentados nas crises do século passado. De um lado os neoliberais, que apoiam seus discursos mostrando que a crise de 1920 foi rapidamente conduzida à prosperidade graças à não intervenção estatal. Bem diferente do que ocorreu com a grande crise de 1929 e as políticas de gasto público do governo dos EUA.

De outro lado, de modo interessante, alguns economistas defensores do papel efetivo do Estado na economia relembram sobre a crise nos balanços de pagamento da década de 1970. Segundo tais defensores, esse fenômeno deveu-se à abertura indiscriminada das economias. O movimento do capital especulativo foi, nesse ponto de vista, culpado pelo endividamento de diversas nações.

Resta-nos acompanhar este debate e onde este pode afetar a realidade. Os discursos, por vezes vazios, nada contribuem para melhorar a situação. Queremos que as mesmas massas cinzentas atuem de modo a contornar esses problemas, evitando o velho hábito de apontar quem é o culpado.


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