quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Teoria do valor
Por:
Dannyell
A compreensão de um todo começa com o entendimento de uma parte. Assim entenderam diversas correntes de pensamento, inclusive na economia. Percebemos a teoria do valor presente em algumas correntes econômicas, a teoria do valor nos indica entre outras coisas o que é a riqueza, como mensurá-las entre outras percepções.
Karl Marx trata em sua obra de uma análise do valor. De maneira sintética, o valor nasce do trabalho, pois Marx entende que é a partir do trabalho que as mercadorias surgem e adquire utilidade para a sociedade. Em sua obra complexa, o autor de "O Capital" explica como as relações de trabalho, produção e circulação se processam e como chegamos à noção de riqueza.
Uma leitura menos preocupada não revela o que essa linha de pensamento implica. Quando Marx propõe que o trabalhador é o criador de valor e consequentemente o de riqueza, ele o coloca em um patamar mais elevado do que vinha apresentado pelas demais teorias até então. Durante sua obra, o autor exalta a importância do operário e argumenta que o mesmo sofre exploração e que o capitalista é o grande beneficiado. Mas em momento nenhum ele propõe uma forma de resolver tais distorções dentro do sistema, pois acredita que o problema é oriundo do próprio sistema capitalista que deve ser assim. A única solução, portanto, é a mudança do modo de produção.
De outro lado conhecemos a teoria clássica: a obscura analise de Adam Smith,que confunde por diversas vezes - na visão de alguns autores - valor útil com valor de troca; David Ricardo com sua análise do valor trabalho, que inspirou Marx entre outros autores; e entre outros. Mas em sua essência a corrente clássica defende o Valor como utilidade de um bem.
Foram os neoclássicos que revolucionaram a ideia de valor, a teoria da utilidade marginal – apresentada originalmente por Jevons - traçava em modelos matemáticos como se constroem o valor das coisas. O valor não é proveniente do trabalho, pois de nada adianta uma mercadoria que quando produzida não serve para coisa alguma. O valor se constrói na utilidade que cada produto possui para o comprador do mesmo e essa utilidade é um aspecto psicológico e variável.
Parece à primeira vista, que a compreensão desses temas de nada acrescenta a vida prática do universo econômico. Mas por trás desses conceitos básicos, residem consequências importantes que afetam outras esferas, como a social e política. Dizer que o trabalho compõe o valor de uma mercadoria e que a riqueza é produzida por essa ação indispensável no processo produtivo, implica no aumento da importância do operário para a sociedade. Quando mostramos que esse mesmo elemento indispensável é explorado, incita em corações mais calorosos o espírito de revolução. Bem diferente da teoria marginalista que nos propõe que esse aspecto não é tão importante.
Mas afinal, por que conhecer o que determina ou mesmo o que define o valor de uma mercadoria? – deixando claro que mercadoria aqui pode ser tanto um objeto concreto como abstrato.
Ao percorrer as páginas de O Capital, entendemos que o autor faz distinção entre diversos conceitos – apesar a palavra conceito não é muito bem empregada no seu sentido restrito visto que Marx se utiliza do método dialético – valor, valor de troca, valor de uso e preço. Encontramos algumas dificuldades quando tentamos transferir para a nossa realidade tais conceitos, mas não nos prejudica muito a observação da teoria do valor marxista. Se preço é diferente de valor um problema surge. Para que saber o valor de uma mercadoria se nas ações rotineiras nos damos com preço? Acredito que a compreensão do valor e o que o determina, permite entendermos como podemos alterar o mesmo e consequentemente os elementos que a este está relacionado.
Em ultima instancia, percebemos que valor como utilidade se assemelha com a ideia de preço, o que elimina a dificuldade da teoria marxista. A dificuldade surge na confusão entre preço e valor, mas valor, dirá Say, é a medida de utilidade de uma mercadoria que é expressa em preço. Mas o dinheiro também é uma mercadoria, se o preço de um bem é forçado para cima não significa que a utilidade da mercadoria aumentou, mas que o valor do dinheiro diminuiu.
Por trás de elementos simples de uma teoria estão aspectos ideológicos que podem afetar direta ou indiretamente os alcances sociais, políticos e econômicos. Nem tudo pode ser testado, ou observado empiricamente. Mas nada, ou quase nada é dito com leviandade.
Texto editado em 18 de junho de 2010
Atente-se ao tempo do comentário
.
Karl Marx trata em sua obra de uma análise do valor. De maneira sintética, o valor nasce do trabalho, pois Marx entende que é a partir do trabalho que as mercadorias surgem e adquire utilidade para a sociedade. Em sua obra complexa, o autor de "O Capital" explica como as relações de trabalho, produção e circulação se processam e como chegamos à noção de riqueza.
Uma leitura menos preocupada não revela o que essa linha de pensamento implica. Quando Marx propõe que o trabalhador é o criador de valor e consequentemente o de riqueza, ele o coloca em um patamar mais elevado do que vinha apresentado pelas demais teorias até então. Durante sua obra, o autor exalta a importância do operário e argumenta que o mesmo sofre exploração e que o capitalista é o grande beneficiado. Mas em momento nenhum ele propõe uma forma de resolver tais distorções dentro do sistema, pois acredita que o problema é oriundo do próprio sistema capitalista que deve ser assim. A única solução, portanto, é a mudança do modo de produção.
De outro lado conhecemos a teoria clássica: a obscura analise de Adam Smith,que confunde por diversas vezes - na visão de alguns autores - valor útil com valor de troca; David Ricardo com sua análise do valor trabalho, que inspirou Marx entre outros autores; e entre outros. Mas em sua essência a corrente clássica defende o Valor como utilidade de um bem.
Foram os neoclássicos que revolucionaram a ideia de valor, a teoria da utilidade marginal – apresentada originalmente por Jevons - traçava em modelos matemáticos como se constroem o valor das coisas. O valor não é proveniente do trabalho, pois de nada adianta uma mercadoria que quando produzida não serve para coisa alguma. O valor se constrói na utilidade que cada produto possui para o comprador do mesmo e essa utilidade é um aspecto psicológico e variável.
Parece à primeira vista, que a compreensão desses temas de nada acrescenta a vida prática do universo econômico. Mas por trás desses conceitos básicos, residem consequências importantes que afetam outras esferas, como a social e política. Dizer que o trabalho compõe o valor de uma mercadoria e que a riqueza é produzida por essa ação indispensável no processo produtivo, implica no aumento da importância do operário para a sociedade. Quando mostramos que esse mesmo elemento indispensável é explorado, incita em corações mais calorosos o espírito de revolução. Bem diferente da teoria marginalista que nos propõe que esse aspecto não é tão importante.
Mas afinal, por que conhecer o que determina ou mesmo o que define o valor de uma mercadoria? – deixando claro que mercadoria aqui pode ser tanto um objeto concreto como abstrato.
Ao percorrer as páginas de O Capital, entendemos que o autor faz distinção entre diversos conceitos – apesar a palavra conceito não é muito bem empregada no seu sentido restrito visto que Marx se utiliza do método dialético – valor, valor de troca, valor de uso e preço. Encontramos algumas dificuldades quando tentamos transferir para a nossa realidade tais conceitos, mas não nos prejudica muito a observação da teoria do valor marxista. Se preço é diferente de valor um problema surge. Para que saber o valor de uma mercadoria se nas ações rotineiras nos damos com preço? Acredito que a compreensão do valor e o que o determina, permite entendermos como podemos alterar o mesmo e consequentemente os elementos que a este está relacionado.
Em ultima instancia, percebemos que valor como utilidade se assemelha com a ideia de preço, o que elimina a dificuldade da teoria marxista. A dificuldade surge na confusão entre preço e valor, mas valor, dirá Say, é a medida de utilidade de uma mercadoria que é expressa em preço. Mas o dinheiro também é uma mercadoria, se o preço de um bem é forçado para cima não significa que a utilidade da mercadoria aumentou, mas que o valor do dinheiro diminuiu.
Por trás de elementos simples de uma teoria estão aspectos ideológicos que podem afetar direta ou indiretamente os alcances sociais, políticos e econômicos. Nem tudo pode ser testado, ou observado empiricamente. Mas nada, ou quase nada é dito com leviandade.
Texto editado em 18 de junho de 2010
Atente-se ao tempo do comentário
.
10 comentários:
Comente sempre que quiser. Não moderamos os comentários, mas os mesmos serão excluídos caso:
1. Ofendam a dignidade dos autores, outros leitores e outras pessoas.
2. Critiquem os textos ou comentários sem fundamentação.
3. A intenção seja apenas causar desordem.
4. Quando tiver caráter ilegal.
Toda vez que um comentário for excluído, informaremos o motivo. Sinta-se a vontade para comentar novamente se você entendeu a proposta deste blog.
Lembre-se, este blog não é um blog profissional e mesmo que alguns textos não correspondam as ideias atuais dos autores eles serão mantidos para mostrar a evolução do posicionamento dos mesmos.
Caso queiram melhorar ou contribuir com os textos do AE, fiquem a vontade!
Obrigado.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
da pra ver que vocês são totalmente capitalistas e não conhecem nada sobre as obras de Marx.
ResponderExcluirhahaha
ResponderExcluirMeu caro Rog, somos capitalistas com muito orgulho mesmo, mas é com total orgulho que digo isso.
Aliás é preferível um capitalista doente mas assumido, que um pseudosocialista...
Olha meu caro, de onde mesmo que você pôde fazer este comentário?
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
De um computador produzido pelo, como eh mesmo ? C.A.P.I.T.A.L.I.S.M.O
Sem ele voce escrevendo em papel vegetal...
Mas que hipocrisia...
De fato nao conheço toda a teoria, mas digo que li quase a totalidade do livro "O Capital" entre outros textos e estudei mais de um ano sobre este autor...
Mas de fato sua obra complexa.
O que ocorre no seu caso, é que voce é daqueles que acham que só entendem Marx quem o defende.
Reveja conceitos e aceite opinioes contrárias.
Marx foi brilhante em vida, mas não era infalível. Pare cultuar um Deus que não existe e nunca separe suas ações de seus pensamentos.
O maior defeito não é defender esta ou aquele teoria, mas quando as ações nao correspondem com as ideias.
Desliga o computador vai, ele foi produzido com a exploração do trabalhador, sabe quanto de mais valia nele foi absorvido?
AAAA
faça me o favor :(
E voce daqueles que nao tem coragem ao menos de permitir que respondamos.
ResponderExcluirAção típica daqueles pseudointelectuais que dizem o que querem mas nao querem ouvir nada.
Um dia quando se tornar homem e defender o que diz, voltaremos a conversar
Infelizmente, um espaço como este fica para discussão que não aprofundam em nada.
ResponderExcluirAliás, questões referentes a Marx, antes de mais nada deve ser estudo o materialismo dialético e histórico. Pois, atribui ao pensador coisas que nem sempre são deles. Isto, devido a falta de estudo. Cabe destacar, que Marx estudo e muito o capitalismo, claro que o mundo evolui, aliás é a própria categoria de contradição, motor da história que faz isto. Por isto, algumas questões da atualidade necessitam de outras leituras, como: Mészáros, Ricardo Antunes, Ellen Wood, entre outros. Autores que trazem a obra de Marx para este momento histórico.
Por isto, fico em dúvida COM economistas que não possuem uma leitura critica. Que lêem apenas alguns livros de bolso. Logo, para criticar os estudos de Marx, Engels e até o Tio Patinhas devemos estudar, inclusive autores favoráveis ou não ao capitalismo, ou qualquer outro sistema econômico. Por isto, Daniel, quem sabe você retire estas coisinhas de seu blog e possamos ter um conteúdo melhor.
Querida Fátima, este é melhor espaço para discutir sobre esse e outros temas, nada melhor que os blogs sobre esses assuntos para expandir as discussões, nao por outro motivo que realizou-se na última semana um encontro de blogueiros de economia, com a presença de grandes nomes nacionais.
ResponderExcluirConcordo quando menciona que atribuem coisas que não é de autoria deste celebre pensador, assim tambem fazem aqueles que se intitulam marxistas.
Se os economistas sem leitura que você se refere sou eu, se engana. Muito já li sobre esse autor e os relacionados ao mesmo. Queria lembrá-la da parte em negrito ao final do texto, cujo foi escrito no início da faculdade. Alías, antes de criticar, VOCE deve ler o espaço, onde tenho dedicada uma página com objetivos deste blog.
Conheço bastante de Marx, Engels e Tio Patinhas. Não me interessa aqui fazer estudos críticos ao Marx. Esta postagem mostrava meu pensamento na época e de maneira alguma retirarei este post, mesmo que tenha mudado de ideia, LEIA O OBJETIVO do blog.
Estudar sobre alguem, nao faz ninguem mudar de opinião. Vossa senhoria, aparentemente é crente na ideia de que estudar te carrega a verdade. Mas que é verdade é essa? Quantos estudiosos, que sabem tudo de marxismo, odeia suas ideias?
O conteúdo de nenhum blog pode melhorar somente porque vai ao encontro do que você pensa, isso é tipico de mente limitada, espero que não seja o seu caso. Aprenda que na vida, escutará coisas que diferem de sua opinião.
Por exemplo, você poderia ter usado este espaço para debater os meus argumentos, ao inves disso, tentou me desmoralizar.
Mas volte quando quiser, obrigado pela visita.
Gostei do seu texto. Aqui é um blog não espaço para dissertação de mestrado. Muito bom!!!!
ResponderExcluirAvaliação de Economia em meu curso de Direito amanhã. Esse texto esclarceu muita coisa! Primeiro periodo é um pouco chato, mais ficou tudo mais agora ficou tudo mais claro!
ResponderExcluirGrato pelas visitas e comentários TygoDF e anônimo.
ResponderExcluirDaniel, gostei demais dessa sua resposta nesse rog! Acho que essas pessoas que se dizem socialistas são extremamente hipócritas, porque vivem no capitalismo e usufruem de tudo o que ele pode oferecer, depois vêm com discursinho contra o capitalismo e contra quem defende o capitalismo, pra mim não passam de pessoas intolerantes. Não aceitam opiniões contrárias, são contra o capitalismo, então mudem para Cuba! O capitalismo dá liberdade para todos. Eu estudo economia e lendo um texto do Schumpeter tive uma dúvida, que era sobre a teoria do valor, que me foi esclarecida através deste seu artigo. Obrigado.
ResponderExcluirAlisson, obrigado pelo comentário. Eu aprendi que não sei nada e que não posso ser arrogante com quem me critica. Opiniões diferentes são essenciais para que o mundo mantenha a beleza da ciência. Sem discordâncias não há ciência e sim religião. Abs
ResponderExcluir