sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Os determinantes do investimento: Keynes e Kalecki
Por:
Dannyell
A relação de causa e efeito: poupança x investimento
O texto a seguir apresentará de maneira breve o debate a respeito dos elementos que afetam o investimento e a poupança, analisando a relação de causa e efeito entre essas duas variáveis. Para Kalecki, Keynes e os clássicos os níveis de poupança e investimento são equivalentes quando considerada a totalidade do sistema. Apesar desse ponto pacífico, encontrar a variável que os determinam centraliza a discordância sobre o tema.
De acordo como autores da economia clássica, o nível de poupança vai definir a renda do sistema e essa por sua vez o nível de investimento. Em sua dissertação de mestrado o Professor Dirceu Grasel (1996) comenta:
"Um aumento no desejo de poupar a uma taxa de investimento constante reduz a demanda por bens de consumo, o que igualmente reduz a taxa de lucro deste setor, provocando uma diminuição no investimento, na renda e no deseja de poupar, restabelecendo-se novamente o equilíbrio entre poupança e investimento."
Com Kalecki e Keynes o efeito causalidade se altera: o investimento é visto como criador e não resultante da poupança. A poupança, mais uma vez, seria sempre igual ao investimento como acreditam os economistas ortodoxos. No entanto, as decisões de investimento e de poupança são tomadas independentemente uma da outra. A poupança estaria em função da renda do sistema e esta, por sua vez, do investimento. Keynes completa que a poupança é geralmente definida por fatores de ordem psicológica, a taxa de juros, por outro lado, é um fenômeno monetário definido em termos da preferência pela liquidez.
A importância da taxa de juros
Os economistas clássicos defendem que quem garante a equivalência entre investimento e poupança é a taxa de juros. Esse equilíbrio é dado através do mecanismo de mercado, isto é, pelo ajustamento entre a oferta e a demanda de recursos para investimento. Grasel (1996) tenta resumir essa afirmação da seguinte maneira:
"Em resumo, a taxa de juros para os neoclássicos passou a ser compreendida como o preço do capital, regulado, da mesma forma como qualquer outro preço."
Keynes e Kalecki emergem ao debate para combater essa ideia. Ambos aceitarão a taxa de juros como mero fenômeno monetário sem importância como elemento determinante. Defenderão ainda, que a taxa de juros não é o preço pago pela espera ou sacrifício em adiar o consumo.
Os salários e seus efeitos no investimento
A ideia clássica a respeito da remuneração do trabalhador nos diz, em resumo, que a redução de salários provoca a redução de custos. Esse custo menor permite uma expansão na oferta, que por sua vez aumentará a renda do sistema. Essa análise é plausível se aceitamos que nesta argumentação estão presentes elementos da Lei de Say. Quando a oferta expandisse, haveria a possibilidade de aumento de emprego. O aumento do nível de emprego significaria aumento da renda, essa renda adicional implicaria em uma demanda adicional. Fechando assim a célebre frase: “Toda oferta cria sua demanda”.
Os neoclássicos deparam-se com limites não observados pelas escolas anteriores. Passam a admitir que uma mercadoria possa vir a ser produzida em demasia devido a uma poupança excessivamente elevada (estimulada por uma elevação na taxa de juros), que reduz o consumo e a taxa de lucro dos setores produtores dos bens e serviços em questão. Contudo, este desajuste será solucionado pelo deslocamento deste capital para os setores onde os rendimentos são maiores, conduzindo novamente ao equilíbrio macroeconômico.
Keynes e Kalecki, contudo, afirmarão que um aumento do emprego devido à redução de salários seria transitório. A menos que o consumo aumentasse na proporção do aumento de produtividade, ou que o investimento aumentasse graças à melhora na eficácia marginal do capital.
Kalecki acrescenta que as reduções dos salários provocariam a redução dos custos, do aumento da produção e do emprego e por sua vez dos lucros. No entanto, a oferta se expandirá e não encontrará demanda, os preços cairão e como resultado redução do emprego.
Além disso, Keynes e Kalecki afirmam que a redução dos custos não implicaria de imediato no aumento do investimento, devido ao fato de que essa decisão estaria sob diversos elementos determinantes (expectativas).
Negando a Lei de Say, e trabalhando com o Principio da Demanda Efetiva – que afirma que a demanda é a responsável pelas alterações da renda no sistema – Keynes e Kalecki afirmam que o investimento seria impulsionado pelo aumento da demanda, para isso o aumento dos salários exerceria um papel importante, pois aumentaria o poder de compra e consequentemente o consumo.
O Efeito Pigou vem como critica a esse pensamento. O professor Rogério Arthmar (2005) analisa a questão:
"Qual, então, é a visão clássica? Ela sustenta, em sua forma mais rigorosa, não que o pleno emprego de fato exista sempre, mas que sempre tende para ele [...]. Isso significa que, se o sistema não estivesse sujeito a perturbações, o pleno emprego sempre existiria embora, em realidade, o emprego fique aquém do pleno emprego por certa quantidade atribuível a tais perturbações."
Completando com a observação do Professor José Luís Oreiro (2009):
"A base dessa crença é o efeito os salários nominais (e os preços) se reduzirem como resultado da existência de excesso de oferta de trabalho; então haverá um aumento do valor real dos saldos monetários que se constituem num direito líquido do setor privado contra o governo (a base monetária). Dessa forma, os agentes econômicos se sentirão mais ricos e irão aumentar consumo."
Os determinantes do investimento para os neoclássicos
O argumento clássico afirma que como toda a produção cria sua demanda, temos que a problemática com a taxa de juros, com a renda do sistema e as expectativas seriam inexistentes, ou apenas não seriam determinantes.
Nesse entendimento, chega-se à conclusão de que o único limite para a acumulação de capital são os recursos disponíveis, entendidos como a poupança própria. Sobre os possíveis limites do montante do investimento, dois fatores muito discutidos principalmente pela nova teoria microeconômica se destacam: as deseconomias de escala e de mercado. Fatores que podem ser atenuados, ou até mesmo invertidos pela tecnologia a ser criada.
Os determinantes do investimento para Kalecki
Os fatores psicológicos e a volatilidade da poupança têm menos peso para a tese de Kalecki no que se refere à determinação do nível de investimento. A efetivação do investimento ocorreria após um período de decisão. Para o autor, o investimento não se alteraria por causa de eventos de vida curta. No curto prazo, o investimento seria dado por decisões passadas. Kalecki define esse período de decisão como a análise das disposições a investir, despesas com investimento e entrega de bens de capital.
As decisões, desse modo, seriam determinadas por uma inter-relação de investimento, lucros e capacidade. No entanto, a capacidade de investimento não é ilimitada, pois o aumento da produção traria em última instância o aumento do lucro e da capacidade produtiva, mas ao mesmo tempo, os rendimentos marginais tornar-se-iam decrescentes. A síntese de seus argumentos revela que o aumento da capacidade produtiva é determinado pelo potencial de investimento, pela taxa de lucro, pela influência tecnológica e a concorrência intercapitalista. O professor Dirceu Grasel (1996) acrescenta ainda:
"Para Kalecki, o investimento em capital fixo privado numa economia capitalista desenvolvida é determinado pela poupança dos capitalistas, pela diferença entre investimento efetivo e necessário e pela influência direta do progresso tecnológico."
Outro destaque para a teoria kaleckiana é o que ele chama de risco crescente do qual estão submetidos todos os capitalistas. Na teoria clássica, as decisões de investimento parecem ser automáticas, basta que seu custo diminua e que os fatores de produção estejam disponíveis para que o investimento se realize, Kalecki combate essa ideia argumentando que a decisão de investir não é automática e é levada em consideração do risco crescente, que se eleva com o aporte de capital em posse dos agentes econômicos.
Os determinantes do investimento para Keynes
Em sua análise, Keynes considera que o investimento e o emprego são voláteis. Uma interpretação de suas ideias nos leva a concluir que os agentes estariam em permanente estado de decisão, ou seja, a todo o momento as expectativas transformavam-se. Aliás, são as expectativas que marcam a teoria keynesiana, e possuem um papel fundamental nas decisões.
Keynes acredita que o investimento será expandido até o ponto onde a eficiência marginal do capital se iguala a taxa de juros. Para o autor, o principal determinante do investimento passa a ser a eficiência marginal do capital (EMC), que corresponde à expectativa de lucro, dada a expectativa de demanda efetiva. Neste caso, o investimento seria resultante de um estudo comparativo entre a EMC e a taxa de juros de curto prazo.
Assim compreendidas, as ações dos agentes econômicos relacionariam com o que ele define como “estado de confiança”, em outras palavras, as decisões dos agentes basear-se-iam no estado atual do cenário econômico. Esse argumenta vai de encontro com a ideia de Kalecki sobre a reprodução de decisões passadas. Assim, Keynes considera a EMC extremamente dependente das expectativas dos agentes.
Considerações finais
Keynes e Kalecki estavam do outro lado da teoria de determinação da renda no que se refere ao pensamento clássico. Se para esses últimos a única barreira ao crescimento são os recursos disponíveis – já que os agentes são racionais e sempre irão maximizar seus lucros – os dois outros autores defenderão que as decisões de investimento não são automáticas e dependem de diversos fatores.
Os referidos autores defendiam que o aumento dos salários poderia provocar o aumento da produção, ao contrário da visão clássica.
Apesar de em um primeiro momento, as teorias kaleckiana e keynesiana parecerem idênticas, temos que ponderar suas diferentes formações acadêmicas. Convergiam, por exemplo, no efeito da taxa de juros sobre o investimento, mas discordavam, entre outras coisas, sobre o modo como as decisões eram tomadas.
Referências
GRASEL, D. Determinantes do investimento no Brasil: 1980/90. Dissertação de Mestrado (Mestre em Engenharia de Produção). Departamento de Engenharia de Produção d Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1996.
ARTHMAR, R. Pigou e a Revolução Keynesiana. XXXIII Encontro Nacional de Economia. Natal, 2005.
OREIRO, J. L. Teoria (Pós) Keynesiana II: A Natureza da Posição de Equilíbrio na Teoria Geral de Keynes. CBE 2009 – Teoria (Pós) Keynesiana II. 2009. Disponível em: < http://lmgx.wordpress.com/2009/09/22/teoria-keynesiana-2/>. Acesso em: 10 de out. 2007.
LIMA, G. T.; SICSU, J. Macroeconomia do Emprego e da Renda. 2003.
Editado em 19 de junho de 2010
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O texto a seguir apresentará de maneira breve o debate a respeito dos elementos que afetam o investimento e a poupança, analisando a relação de causa e efeito entre essas duas variáveis. Para Kalecki, Keynes e os clássicos os níveis de poupança e investimento são equivalentes quando considerada a totalidade do sistema. Apesar desse ponto pacífico, encontrar a variável que os determinam centraliza a discordância sobre o tema.
De acordo como autores da economia clássica, o nível de poupança vai definir a renda do sistema e essa por sua vez o nível de investimento. Em sua dissertação de mestrado o Professor Dirceu Grasel (1996) comenta:
"Um aumento no desejo de poupar a uma taxa de investimento constante reduz a demanda por bens de consumo, o que igualmente reduz a taxa de lucro deste setor, provocando uma diminuição no investimento, na renda e no deseja de poupar, restabelecendo-se novamente o equilíbrio entre poupança e investimento."
Com Kalecki e Keynes o efeito causalidade se altera: o investimento é visto como criador e não resultante da poupança. A poupança, mais uma vez, seria sempre igual ao investimento como acreditam os economistas ortodoxos. No entanto, as decisões de investimento e de poupança são tomadas independentemente uma da outra. A poupança estaria em função da renda do sistema e esta, por sua vez, do investimento. Keynes completa que a poupança é geralmente definida por fatores de ordem psicológica, a taxa de juros, por outro lado, é um fenômeno monetário definido em termos da preferência pela liquidez.
A importância da taxa de juros
Os economistas clássicos defendem que quem garante a equivalência entre investimento e poupança é a taxa de juros. Esse equilíbrio é dado através do mecanismo de mercado, isto é, pelo ajustamento entre a oferta e a demanda de recursos para investimento. Grasel (1996) tenta resumir essa afirmação da seguinte maneira:
"Em resumo, a taxa de juros para os neoclássicos passou a ser compreendida como o preço do capital, regulado, da mesma forma como qualquer outro preço."
Keynes e Kalecki emergem ao debate para combater essa ideia. Ambos aceitarão a taxa de juros como mero fenômeno monetário sem importância como elemento determinante. Defenderão ainda, que a taxa de juros não é o preço pago pela espera ou sacrifício em adiar o consumo.
Os salários e seus efeitos no investimento
A ideia clássica a respeito da remuneração do trabalhador nos diz, em resumo, que a redução de salários provoca a redução de custos. Esse custo menor permite uma expansão na oferta, que por sua vez aumentará a renda do sistema. Essa análise é plausível se aceitamos que nesta argumentação estão presentes elementos da Lei de Say. Quando a oferta expandisse, haveria a possibilidade de aumento de emprego. O aumento do nível de emprego significaria aumento da renda, essa renda adicional implicaria em uma demanda adicional. Fechando assim a célebre frase: “Toda oferta cria sua demanda”.
Os neoclássicos deparam-se com limites não observados pelas escolas anteriores. Passam a admitir que uma mercadoria possa vir a ser produzida em demasia devido a uma poupança excessivamente elevada (estimulada por uma elevação na taxa de juros), que reduz o consumo e a taxa de lucro dos setores produtores dos bens e serviços em questão. Contudo, este desajuste será solucionado pelo deslocamento deste capital para os setores onde os rendimentos são maiores, conduzindo novamente ao equilíbrio macroeconômico.
Keynes e Kalecki, contudo, afirmarão que um aumento do emprego devido à redução de salários seria transitório. A menos que o consumo aumentasse na proporção do aumento de produtividade, ou que o investimento aumentasse graças à melhora na eficácia marginal do capital.
Kalecki acrescenta que as reduções dos salários provocariam a redução dos custos, do aumento da produção e do emprego e por sua vez dos lucros. No entanto, a oferta se expandirá e não encontrará demanda, os preços cairão e como resultado redução do emprego.
Além disso, Keynes e Kalecki afirmam que a redução dos custos não implicaria de imediato no aumento do investimento, devido ao fato de que essa decisão estaria sob diversos elementos determinantes (expectativas).
Negando a Lei de Say, e trabalhando com o Principio da Demanda Efetiva – que afirma que a demanda é a responsável pelas alterações da renda no sistema – Keynes e Kalecki afirmam que o investimento seria impulsionado pelo aumento da demanda, para isso o aumento dos salários exerceria um papel importante, pois aumentaria o poder de compra e consequentemente o consumo.
O Efeito Pigou vem como critica a esse pensamento. O professor Rogério Arthmar (2005) analisa a questão:
"Qual, então, é a visão clássica? Ela sustenta, em sua forma mais rigorosa, não que o pleno emprego de fato exista sempre, mas que sempre tende para ele [...]. Isso significa que, se o sistema não estivesse sujeito a perturbações, o pleno emprego sempre existiria embora, em realidade, o emprego fique aquém do pleno emprego por certa quantidade atribuível a tais perturbações."
Completando com a observação do Professor José Luís Oreiro (2009):
"A base dessa crença é o efeito os salários nominais (e os preços) se reduzirem como resultado da existência de excesso de oferta de trabalho; então haverá um aumento do valor real dos saldos monetários que se constituem num direito líquido do setor privado contra o governo (a base monetária). Dessa forma, os agentes econômicos se sentirão mais ricos e irão aumentar consumo."
Os determinantes do investimento para os neoclássicos
O argumento clássico afirma que como toda a produção cria sua demanda, temos que a problemática com a taxa de juros, com a renda do sistema e as expectativas seriam inexistentes, ou apenas não seriam determinantes.
Nesse entendimento, chega-se à conclusão de que o único limite para a acumulação de capital são os recursos disponíveis, entendidos como a poupança própria. Sobre os possíveis limites do montante do investimento, dois fatores muito discutidos principalmente pela nova teoria microeconômica se destacam: as deseconomias de escala e de mercado. Fatores que podem ser atenuados, ou até mesmo invertidos pela tecnologia a ser criada.
Os determinantes do investimento para Kalecki
Os fatores psicológicos e a volatilidade da poupança têm menos peso para a tese de Kalecki no que se refere à determinação do nível de investimento. A efetivação do investimento ocorreria após um período de decisão. Para o autor, o investimento não se alteraria por causa de eventos de vida curta. No curto prazo, o investimento seria dado por decisões passadas. Kalecki define esse período de decisão como a análise das disposições a investir, despesas com investimento e entrega de bens de capital.
As decisões, desse modo, seriam determinadas por uma inter-relação de investimento, lucros e capacidade. No entanto, a capacidade de investimento não é ilimitada, pois o aumento da produção traria em última instância o aumento do lucro e da capacidade produtiva, mas ao mesmo tempo, os rendimentos marginais tornar-se-iam decrescentes. A síntese de seus argumentos revela que o aumento da capacidade produtiva é determinado pelo potencial de investimento, pela taxa de lucro, pela influência tecnológica e a concorrência intercapitalista. O professor Dirceu Grasel (1996) acrescenta ainda:
"Para Kalecki, o investimento em capital fixo privado numa economia capitalista desenvolvida é determinado pela poupança dos capitalistas, pela diferença entre investimento efetivo e necessário e pela influência direta do progresso tecnológico."
Outro destaque para a teoria kaleckiana é o que ele chama de risco crescente do qual estão submetidos todos os capitalistas. Na teoria clássica, as decisões de investimento parecem ser automáticas, basta que seu custo diminua e que os fatores de produção estejam disponíveis para que o investimento se realize, Kalecki combate essa ideia argumentando que a decisão de investir não é automática e é levada em consideração do risco crescente, que se eleva com o aporte de capital em posse dos agentes econômicos.
Os determinantes do investimento para Keynes
Em sua análise, Keynes considera que o investimento e o emprego são voláteis. Uma interpretação de suas ideias nos leva a concluir que os agentes estariam em permanente estado de decisão, ou seja, a todo o momento as expectativas transformavam-se. Aliás, são as expectativas que marcam a teoria keynesiana, e possuem um papel fundamental nas decisões.
Keynes acredita que o investimento será expandido até o ponto onde a eficiência marginal do capital se iguala a taxa de juros. Para o autor, o principal determinante do investimento passa a ser a eficiência marginal do capital (EMC), que corresponde à expectativa de lucro, dada a expectativa de demanda efetiva. Neste caso, o investimento seria resultante de um estudo comparativo entre a EMC e a taxa de juros de curto prazo.
Assim compreendidas, as ações dos agentes econômicos relacionariam com o que ele define como “estado de confiança”, em outras palavras, as decisões dos agentes basear-se-iam no estado atual do cenário econômico. Esse argumenta vai de encontro com a ideia de Kalecki sobre a reprodução de decisões passadas. Assim, Keynes considera a EMC extremamente dependente das expectativas dos agentes.
Considerações finais
Keynes e Kalecki estavam do outro lado da teoria de determinação da renda no que se refere ao pensamento clássico. Se para esses últimos a única barreira ao crescimento são os recursos disponíveis – já que os agentes são racionais e sempre irão maximizar seus lucros – os dois outros autores defenderão que as decisões de investimento não são automáticas e dependem de diversos fatores.
Os referidos autores defendiam que o aumento dos salários poderia provocar o aumento da produção, ao contrário da visão clássica.
Apesar de em um primeiro momento, as teorias kaleckiana e keynesiana parecerem idênticas, temos que ponderar suas diferentes formações acadêmicas. Convergiam, por exemplo, no efeito da taxa de juros sobre o investimento, mas discordavam, entre outras coisas, sobre o modo como as decisões eram tomadas.
Referências
GRASEL, D. Determinantes do investimento no Brasil: 1980/90. Dissertação de Mestrado (Mestre em Engenharia de Produção). Departamento de Engenharia de Produção d Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1996.
ARTHMAR, R. Pigou e a Revolução Keynesiana. XXXIII Encontro Nacional de Economia. Natal, 2005.
OREIRO, J. L. Teoria (Pós) Keynesiana II: A Natureza da Posição de Equilíbrio na Teoria Geral de Keynes. CBE 2009 – Teoria (Pós) Keynesiana II. 2009. Disponível em: < http://lmgx.wordpress.com/2009/09/22/teoria-keynesiana-2/>. Acesso em: 10 de out. 2007.
LIMA, G. T.; SICSU, J. Macroeconomia do Emprego e da Renda. 2003.
Editado em 19 de junho de 2010
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