quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O homem e suas fórmulas

A curiosidade humana nos faz buscar sempre as respostas sobre o mundo, é a partir dessa busca que nasceram as ciências. Seja proveniente de estudos empíricos ou teóricos, aceitamos diversas argumentações e chamamos de leis, paradigmas etc.

Hoje os avanços da ciência tornam-se, por vezes, essenciais para a sobrevivência da espécie humana. Ciências Humanas, Sociais, Naturais, Exatas e entre outras, em conjunto tentam explicar toda a complexidade desse mundo em que vivemos.

Um aspecto muito interessante da economia é a possibilidade de entender vários ramos de ciências diferentes, psicologia, filosofia, antropologia, sociologia, matemática, estatística, história e outros. Por esses e outros motivos, torna esse ramo complexo de estudar e por vezes abstrato.

Diversos pensadores das doutrinas econômicas tentaram apelar, em seu caráter positivista, para explicação das variáveis econômicas a partir de relações advindas da Ciência Natural. À medida que o tempo passa, acompanhamos o progresso dessa ciência, algumas leis são até revistas. Mas no mundo natural que rege a física, química e biologia, as mudanças, na sua maioria, provem de pesquisas mais aprofundadas e reparação de equívocos. Não é comum, no entanto, perceber tantas exceções como no campo social.

Um exemplo é a lei da gravidade, por mais que se descubram motivos diferentes para explicá-la, o comportamento em condições normais de um objeto que cai do 10° andar de um prédio será o mesmo. Não existirá, portanto, um local no interior da Turquia onde um objeto caiu e ao invés de ir ao chão, deu mil piruetas e ficou flutuando pela terra.

A meu ver, essas explicações físicas para o mundo econômico são equivocadas, pois existem inúmeras variáveis que ao contrario do que propõe os amantes da econometria, não podem ser expressas em formas de equações e gráficos bidimensionais. Muito menos tornar todas as outras variáveis que não se tem informações sobre as mesmas constantes.

Pela pouca experiência que tive nos dois ramos, não acho possível que uma ciência explique outra. Ciência Natural explica os fenômenos que tangem aspectos naturais, e assim também ocorre com o Social. Uma ciência não possui ferramentas adequadas para explicar outra, e nem é satisfatório suas adaptações.

A consequência disso é o que os graduandos de economia observam desde o inicio acadêmico, o nível de abstração que tratamos a realidade. O resultado é que passamos anos na universidade sem poder usar a maior parte dos instrumentos que adquirimos em nossa formação. Frustrante o fato de ver os modelos que não se aplicam ao mundo econômico, e o mundo de faz de conta de alguns teóricos.

Concordarei que é impossível colocar as infinitas variáveis que regem o social, porque o ser humano é imprevisível e não se comporta da mesma forma em situações iguais. Porém, o que incomoda é a tentativa de muitos, usarem puramente explicações matemáticas para um mundo que não tem regularidade e não obedecem a uma função trigonométrica.

As expectativas e os agentes racionais que tomam decisões previsíveis, que possuem todas as informações de que desejam, o seu caráter maximizador, a função de produção, as incalculáveis receitas marginas, custos marginais, isoquantas etc.

Não quero defender uma extinção desse método, e reconheço a importância deles. Apenas defendo que se afastemos desse nível de abstração sempre que possível, e levamos em consideração que o ser humano não pode jamais ser considerado matematicamente, muito menos uma sociedade e seus fenômenos. Por mais que a lei de demanda e oferta pareça obvia, os agentes que se relacionam não seguem fórmulas alguma e nem possuem conhecimentos completos.

Editado em 15 de junho de 2010
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