sexta-feira, 19 de outubro de 2007
As contribuições de Marx
Por:
Daniel Simões Coelho
Os críticos do marxismo, que na sua maioria não possuem embasamento teórico sobre o autor, utilizam de uma mesma argumentação. É comum dizer que as teorias de Marx para nada servem, que não há aplicabilidade em sua análise e que no mundo atual, de nenhuma serventia tem o referido autor.
Aqui não me manifesto a favor dessa corrente, tampouco acredito na efetivação das ideias marxistas. O fato é que os mesmos que se valem desses argumentos, são por vezes adeptos da corrente predominante e dominante, o neoclassicismo.
A crítica sempre recai ao fato de que ideais comunistas, socialistas e afins, não podem ser colocados em prática, já que inúmeros fatores os impedem. Portanto, qual a finalidade de se ministrar disciplinas como economia política ou outras relacionadas com a corrente marxista? Por vezes, toda corrente heterodoxa é considerada um bloco de pensamento indissociável. Observo artigos de graduandos que repudiam como fosse algo imperdoável ter uma posição não ortodoxa.
Toda teoria, quando possui a pretensão de explicar determinados fenômenos econômicos, é baseada em paradigmas. Premissas que fundamentam toda corrente de ideias. Um comentário, e bem observado a meu ver, é que admitindo os paradigmas neoclássicos fica muito difícil quebrar sua teoria. Os grandes críticos da teoria neoclássica, notadamente Keynes, de maneira geral não atacaram a doutrina vigente derrubando suas premissas. Algumas delas foram questionadas, mas nada de muito radical.
Os praticantes das referidas críticas, geralmente, tem uma inclinação pela teoria ortodoxa, seja esta neoclássica, monetarista ou qualquer uma relacionada. O que me impressiona nisso é que suas criticas podem ser usadas pelos seus opositores teóricos. Tentarei explicar melhor.
A corrente ortodoxa como um todo, tenta através de inúmeros modelos matemáticos ou não, “fotografar” diversos aspectos da economia. A partir dessas fotografias podem analisar diversos fenômenos. O modelo de estáticas comparativas é o mais comum.
O termo caeteris paribus é usado com frequência nos mesmos, durante todo nosso período acadêmico desconsideramos inúmeras variáveis exógenas, que apesar de parecer, a maioria está longe de ser irrelevante. Uma resposta simples a esta critica seria que é impossível inserir todo o funcionamento de um sistema como um todo e todas as suas variáveis em um único modelo, em um único gráfico bidimensional. A questão não passa por ai, o revoltante muitas vezes é que os acadêmicos - também economistas formados - que nunca tiveram uma ideia empírica de como funciona um mercado, tentam e aplicar por completo seus conhecimentos adquiridos nas leituras dos manuais de micro e macroeconomia.
Tenho essa sensação toda vez que leio um artigo de uma graduando, geralmente criticando basicamente o Estado e a heterodoxia, e exaltando o livre comércio e as nações hoje desenvolvidas. Chegam ao senso comum no qual a maior parte de suas ideias me parecem copiadas um dos outros.
Questiono-me, muitas vezes, onde poderei usar os conceitos macroeconômicos ortodoxos, onde observarei com total clareza uma economia caminhando para o produto natural, onde as expectativas podem ser mensuradas, onde o capital é dado, onde as variáveis que interferem no nível de investimento são renda, juros e expectativas apenas. Esse tão sonhado mundo não me pertence. Queria também um dia gozar da possibilidade de mensurar a minha utilidade marginal para poder maximizá-la, seria o empregado mais bem pago se pudesse quantificar os custos marginais e determinar o lucro máximo de uma produção.
Meu objetivo é ser o mais breve nessas considerações, talvez por isso não tenha sido claro, mais dois pontos são fundamentais:
A teoria neoclássica é a predominante, mas não funciona da forma como foi concebida, e isso todos esquecem, portanto os manuais não são capazes de retratar a realidade, então para que servem?
A teoria ortodoxa não esta incorreta, apenas avalio o erro e a precipitação de alunos e profissionais ao desejar aplicar na integra todo seu conhecimento.
Se o mundo de Marx não existe, talvez não devêssemos estudar. E se o mundo dos neoclássicos não existe, para que servem suas teorias?
Editado em 15 de junho de 2010
Atente-se ao tempo dos comentários
Aqui não me manifesto a favor dessa corrente, tampouco acredito na efetivação das ideias marxistas. O fato é que os mesmos que se valem desses argumentos, são por vezes adeptos da corrente predominante e dominante, o neoclassicismo.
A crítica sempre recai ao fato de que ideais comunistas, socialistas e afins, não podem ser colocados em prática, já que inúmeros fatores os impedem. Portanto, qual a finalidade de se ministrar disciplinas como economia política ou outras relacionadas com a corrente marxista? Por vezes, toda corrente heterodoxa é considerada um bloco de pensamento indissociável. Observo artigos de graduandos que repudiam como fosse algo imperdoável ter uma posição não ortodoxa.
Toda teoria, quando possui a pretensão de explicar determinados fenômenos econômicos, é baseada em paradigmas. Premissas que fundamentam toda corrente de ideias. Um comentário, e bem observado a meu ver, é que admitindo os paradigmas neoclássicos fica muito difícil quebrar sua teoria. Os grandes críticos da teoria neoclássica, notadamente Keynes, de maneira geral não atacaram a doutrina vigente derrubando suas premissas. Algumas delas foram questionadas, mas nada de muito radical.
Os praticantes das referidas críticas, geralmente, tem uma inclinação pela teoria ortodoxa, seja esta neoclássica, monetarista ou qualquer uma relacionada. O que me impressiona nisso é que suas criticas podem ser usadas pelos seus opositores teóricos. Tentarei explicar melhor.
A corrente ortodoxa como um todo, tenta através de inúmeros modelos matemáticos ou não, “fotografar” diversos aspectos da economia. A partir dessas fotografias podem analisar diversos fenômenos. O modelo de estáticas comparativas é o mais comum.
O termo caeteris paribus é usado com frequência nos mesmos, durante todo nosso período acadêmico desconsideramos inúmeras variáveis exógenas, que apesar de parecer, a maioria está longe de ser irrelevante. Uma resposta simples a esta critica seria que é impossível inserir todo o funcionamento de um sistema como um todo e todas as suas variáveis em um único modelo, em um único gráfico bidimensional. A questão não passa por ai, o revoltante muitas vezes é que os acadêmicos - também economistas formados - que nunca tiveram uma ideia empírica de como funciona um mercado, tentam e aplicar por completo seus conhecimentos adquiridos nas leituras dos manuais de micro e macroeconomia.
Tenho essa sensação toda vez que leio um artigo de uma graduando, geralmente criticando basicamente o Estado e a heterodoxia, e exaltando o livre comércio e as nações hoje desenvolvidas. Chegam ao senso comum no qual a maior parte de suas ideias me parecem copiadas um dos outros.
Questiono-me, muitas vezes, onde poderei usar os conceitos macroeconômicos ortodoxos, onde observarei com total clareza uma economia caminhando para o produto natural, onde as expectativas podem ser mensuradas, onde o capital é dado, onde as variáveis que interferem no nível de investimento são renda, juros e expectativas apenas. Esse tão sonhado mundo não me pertence. Queria também um dia gozar da possibilidade de mensurar a minha utilidade marginal para poder maximizá-la, seria o empregado mais bem pago se pudesse quantificar os custos marginais e determinar o lucro máximo de uma produção.
Meu objetivo é ser o mais breve nessas considerações, talvez por isso não tenha sido claro, mais dois pontos são fundamentais:
A teoria neoclássica é a predominante, mas não funciona da forma como foi concebida, e isso todos esquecem, portanto os manuais não são capazes de retratar a realidade, então para que servem?
A teoria ortodoxa não esta incorreta, apenas avalio o erro e a precipitação de alunos e profissionais ao desejar aplicar na integra todo seu conhecimento.
Se o mundo de Marx não existe, talvez não devêssemos estudar. E se o mundo dos neoclássicos não existe, para que servem suas teorias?
Editado em 15 de junho de 2010
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5 comentários:
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Parabéns pelo excelente blog.
ResponderExcluirGostaria de ponderar sobre algumas das questões tratadas em sua postagem; Acredito que a simplificação da realidade feita pelos Ortodoxos a partir de seus modelos possam não ser em muitos casos eficientes para uma explicação mais profunda da economia, mas é fato que tais modelos proporcionam uma tendência de comportamento dos agentes econômicos, auxiliando dessa forma o entendimento da economia como um todo, apesar de não explicar totalmente como escrevi acima. A questão que deve ser discutida, na minha opinião, é a relevância das chamadas variáveis exogenas ao modelo para a explicação da realidade, isso, acredito que depende de cado modelo e ao que ele tenta explicar, podendo ser muitas vezes variáveis irrelevantes e dessa forma o modelo considerado muito bom ou não.
Grande abraço, novamente parabéns pelo excelente blog.
Parabenizo-o pela iniciativa do blog.
ResponderExcluirGostaria que visitasse o meu blog Jovem Economista: http://cienciadaeconomia.blogspot.com
Abraço,
Reginaldo
Fernando
ResponderExcluirObrigado pela visita e pelo comentário.
Gostei do seu ponto de vista e confesso que compartilho em partes com ele.
Abraços
Obrigado pela visita Reginaldo
ResponderExcluirVisitarei sim com certeza
Obrigado por intiresnuyu iformatsiyu
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