quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Teoria do valor

A compreensão de um todo começa com o entendimento de uma parte. Assim entenderam diversas correntes de pensamento, inclusive na economia. Percebemos a teoria do valor presente em algumas correntes econômicas, a teoria do valor nos indica entre outras coisas o que é a riqueza, como mensurá-las entre outras percepções.

Karl Marx trata em sua obra de uma análise do valor. De maneira sintética, o valor nasce do trabalho, pois Marx entende que é a partir do trabalho que as mercadorias surgem e adquire utilidade para a sociedade. Em sua obra complexa, o autor de "O Capital" explica como as relações de trabalho, produção e circulação se processam e como chegamos à noção de riqueza.

Uma leitura menos preocupada não revela o que essa linha de pensamento implica. Quando Marx propõe que o trabalhador é o criador de valor e consequentemente o de riqueza, ele o coloca em um patamar mais elevado do que vinha apresentado pelas demais teorias até então. Durante sua obra, o autor exalta a importância do operário e argumenta que o mesmo sofre exploração e que o capitalista é o grande beneficiado. Mas em momento nenhum ele propõe uma forma de resolver tais distorções dentro do sistema, pois acredita que o problema é oriundo do próprio sistema capitalista que deve ser assim. A única solução, portanto, é a mudança do modo de produção.

De outro lado conhecemos a teoria clássica: a obscura analise de Adam Smith,que confunde por diversas vezes - na visão de alguns autores - valor útil com valor de troca; David Ricardo com sua análise do valor trabalho, que inspirou Marx entre outros autores; e entre outros. Mas em sua essência a corrente clássica defende o Valor como utilidade de um bem.

Foram os neoclássicos que revolucionaram a ideia de valor, a teoria da utilidade marginal – apresentada originalmente por Jevons - traçava em modelos matemáticos como se constroem o valor das coisas. O valor não é proveniente do trabalho, pois de nada adianta uma mercadoria que quando produzida não serve para coisa alguma. O valor se constrói na utilidade que cada produto possui para o comprador do mesmo e essa utilidade é um aspecto psicológico e variável.

Parece à primeira vista, que a compreensão desses temas de nada acrescenta a vida prática do universo econômico. Mas por trás desses conceitos básicos, residem consequências importantes que afetam outras esferas, como a social e política. Dizer que o trabalho compõe o valor de uma mercadoria e que a riqueza é produzida por essa ação indispensável no processo produtivo, implica no aumento da importância do operário para a sociedade. Quando mostramos que esse mesmo elemento indispensável é explorado, incita em corações mais calorosos o espírito de revolução. Bem diferente da teoria marginalista que nos propõe que esse aspecto não é tão importante.

Mas afinal, por que conhecer o que determina ou mesmo o que define o valor de uma mercadoria? – deixando claro que mercadoria aqui pode ser tanto um objeto concreto como abstrato.

Ao percorrer as páginas de O Capital, entendemos que o autor faz distinção entre diversos conceitos – apesar a palavra conceito não é muito bem empregada no seu sentido restrito visto que Marx se utiliza do método dialético – valor, valor de troca, valor de uso e preço. Encontramos algumas dificuldades quando tentamos transferir para a nossa realidade tais conceitos, mas não nos prejudica muito a observação da teoria do valor marxista. Se preço é diferente de valor um problema surge. Para que saber o valor de uma mercadoria se nas ações rotineiras nos damos com preço? Acredito que a compreensão do valor e o que o determina, permite entendermos como podemos alterar o mesmo e consequentemente os elementos que a este está relacionado.

Em ultima instancia, percebemos que valor como utilidade se assemelha com a ideia de preço, o que elimina a dificuldade da teoria marxista. A dificuldade surge na confusão entre preço e valor, mas valor, dirá Say, é a medida de utilidade de uma mercadoria que é expressa em preço. Mas o dinheiro também é uma mercadoria, se o preço de um bem é forçado para cima não significa que a utilidade da mercadoria aumentou, mas que o valor do dinheiro diminuiu.

Por trás de elementos simples de uma teoria estão aspectos ideológicos que podem afetar direta ou indiretamente os alcances sociais, políticos e econômicos. Nem tudo pode ser testado, ou observado empiricamente. Mas nada, ou quase nada é dito com leviandade.


Texto editado em 18 de junho de 2010
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Economista

05 de dezembro de 2007

Ainda me impressiono com a versatilidade do curso de economia, é muito interessante observar como existem grandes diferenças entre os profissionais.

Um médico formado aqui no Espírito Santo talvez não tenha a mesma experiência que um formado em São Paulo, mas provavelmente as diferenças são poucas. O engenheiro europeu talvez possua um vasto conhecimento prático das novas tecnologias, deixando para trás o mesmo profissional brasileiro, no entanto, assim que o avanço aqui ocorrer, as diferenças diminuem. Com o economista não ocorre o mesmo, até mesmo porque tratamos de uma ciência social, ou humana, como quiserem.

Que existem economistas diferentes pelo mundo é fácil entender. Cada país tem sua particularidade, seu ponto de vista, suas experiências, enfim. Dentro de um mesmo país tentamos entender, no Brasil existem aquelas academias mais ortodoxas, outras mais heterodoxas e outras nem lá nem cá. Mais o que dizer dentro de um mesmo corredor, profissionais totalmente diferentes formados depois de assistir as mesmas aulas com os mesmos professores?

Isso ao mesmo tempo em que é maravilhoso, assusta. Ao longo do curso observamos pessoas que tentamos entender o que fazem por ali, que não possuem de forma alguma perfil de um profissional da área. Outras que têm potencial de crescer e ser um bem sucedido economista, mas que deixa passar diversas oportunidades. O concurso público é o objetivo da maioria, não que seja um trabalho indigno, mas que poderiam sonhar com algo muito maior.

Passamos longos anos da faculdade sem saber o que significa ciência econômica, às vezes universitários se formam ainda não sabendo. Confundem economia com administração, contabilidade, comércio exterior etc. E os próprios alunos não sabem distinguir com precisão cada uma dessas áreas.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Os determinantes do investimento: Keynes e Kalecki

A relação de causa e efeito: poupança x investimento

O texto a seguir apresentará de maneira breve o debate a respeito dos elementos que afetam o investimento e a poupança, analisando a relação de causa e efeito entre essas duas variáveis. Para Kalecki, Keynes e os clássicos os níveis de poupança e investimento são equivalentes quando considerada a totalidade do sistema. Apesar desse ponto pacífico, encontrar a variável que os determinam centraliza a discordância sobre o tema.

De acordo como autores da economia clássica, o nível de poupança vai definir a renda do sistema e essa por sua vez o nível de investimento. Em sua dissertação de mestrado o Professor Dirceu Grasel (1996) comenta:

"Um aumento no desejo de poupar a uma taxa de investimento constante reduz a demanda por bens de consumo, o que igualmente reduz a taxa de lucro deste setor, provocando uma diminuição no investimento, na renda e no deseja de poupar, restabelecendo-se novamente o equilíbrio entre poupança e investimento."

Com Kalecki e Keynes o efeito causalidade se altera: o investimento é visto como criador e não resultante da poupança. A poupança, mais uma vez, seria sempre igual ao investimento como acreditam os economistas ortodoxos. No entanto, as decisões de investimento e de poupança são tomadas independentemente uma da outra. A poupança estaria em função da renda do sistema e esta, por sua vez, do investimento. Keynes completa que a poupança é geralmente definida por fatores de ordem psicológica, a taxa de juros, por outro lado, é um fenômeno monetário definido em termos da preferência pela liquidez.

A importância da taxa de juros

Os economistas clássicos defendem que quem garante a equivalência entre investimento e poupança é a taxa de juros. Esse equilíbrio é dado através do mecanismo de mercado, isto é, pelo ajustamento entre a oferta e a demanda de recursos para investimento. Grasel (1996) tenta resumir essa afirmação da seguinte maneira:

"Em resumo, a taxa de juros para os neoclássicos passou a ser compreendida como o preço do capital, regulado, da mesma forma como qualquer outro preço."

Keynes e Kalecki emergem ao debate para combater essa ideia. Ambos aceitarão a taxa de juros como mero fenômeno monetário sem importância como elemento determinante. Defenderão ainda, que a taxa de juros não é o preço pago pela espera ou sacrifício em adiar o consumo.

Os salários e seus efeitos no investimento

A ideia clássica a respeito da remuneração do trabalhador nos diz, em resumo, que a redução de salários provoca a redução de custos. Esse custo menor permite uma expansão na oferta, que por sua vez aumentará a renda do sistema. Essa análise é plausível se aceitamos que nesta argumentação estão presentes elementos da Lei de Say. Quando a oferta expandisse, haveria a possibilidade de aumento de emprego. O aumento do nível de emprego significaria aumento da renda, essa renda adicional implicaria em uma demanda adicional. Fechando assim a célebre frase: “Toda oferta cria sua demanda”.

Os neoclássicos deparam-se com limites não observados pelas escolas anteriores. Passam a admitir que uma mercadoria possa vir a ser produzida em demasia devido a uma poupança excessivamente elevada (estimulada por uma elevação na taxa de juros), que reduz o consumo e a taxa de lucro dos setores produtores dos bens e serviços em questão. Contudo, este desajuste será solucionado pelo deslocamento deste capital para os setores onde os rendimentos são maiores, conduzindo novamente ao equilíbrio macroeconômico.

Keynes e Kalecki, contudo, afirmarão que um aumento do emprego devido à redução de salários seria transitório. A menos que o consumo aumentasse na proporção do aumento de produtividade, ou que o investimento aumentasse graças à melhora na eficácia marginal do capital.

Kalecki acrescenta que as reduções dos salários provocariam a redução dos custos, do aumento da produção e do emprego e por sua vez dos lucros. No entanto, a oferta se expandirá e não encontrará demanda, os preços cairão e como resultado redução do emprego.

Além disso, Keynes e Kalecki afirmam que a redução dos custos não implicaria de imediato no aumento do investimento, devido ao fato de que essa decisão estaria sob diversos elementos determinantes (expectativas).

Negando a Lei de Say, e trabalhando com o Principio da Demanda Efetiva – que afirma que a demanda é a responsável pelas alterações da renda no sistema – Keynes e Kalecki afirmam que o investimento seria impulsionado pelo aumento da demanda, para isso o aumento dos salários exerceria um papel importante, pois aumentaria o poder de compra e consequentemente o consumo.
O Efeito Pigou vem como critica a esse pensamento. O professor Rogério Arthmar (2005) analisa a questão:

"Qual, então, é a visão clássica? Ela sustenta, em sua forma mais rigorosa, não que o pleno emprego de fato exista sempre, mas que sempre tende para ele [...]. Isso significa que, se o sistema não estivesse sujeito a perturbações, o pleno emprego sempre existiria embora, em realidade, o emprego fique aquém do pleno emprego por certa quantidade atribuível a tais perturbações."
Completando com a observação do Professor José Luís Oreiro (2009):

"A base dessa crença é o efeito os salários nominais (e os preços) se reduzirem como resultado da existência de excesso de oferta de trabalho; então haverá um aumento do valor real dos saldos monetários que se constituem num direito líquido do setor privado contra o governo (a base monetária). Dessa forma, os agentes econômicos se sentirão mais ricos e irão aumentar consumo."

Os determinantes do investimento para os neoclássicos

O argumento clássico afirma que como toda a produção cria sua demanda, temos que a problemática com a taxa de juros, com a renda do sistema e as expectativas seriam inexistentes, ou apenas não seriam determinantes.

Nesse entendimento, chega-se à conclusão de que o único limite para a acumulação de capital são os recursos disponíveis, entendidos como a poupança própria. Sobre os possíveis limites do montante do investimento, dois fatores muito discutidos principalmente pela nova teoria microeconômica se destacam: as deseconomias de escala e de mercado. Fatores que podem ser atenuados, ou até mesmo invertidos pela tecnologia a ser criada.

Os determinantes do investimento para Kalecki

Os fatores psicológicos e a volatilidade da poupança têm menos peso para a tese de Kalecki no que se refere à determinação do nível de investimento. A efetivação do investimento ocorreria após um período de decisão. Para o autor, o investimento não se alteraria por causa de eventos de vida curta. No curto prazo, o investimento seria dado por decisões passadas. Kalecki define esse período de decisão como a análise das disposições a investir, despesas com investimento e entrega de bens de capital.

As decisões, desse modo, seriam determinadas por uma inter-relação de investimento, lucros e capacidade. No entanto, a capacidade de investimento não é ilimitada, pois o aumento da produção traria em última instância o aumento do lucro e da capacidade produtiva, mas ao mesmo tempo, os rendimentos marginais tornar-se-iam decrescentes. A síntese de seus argumentos revela que o aumento da capacidade produtiva é determinado pelo potencial de investimento, pela taxa de lucro, pela influência tecnológica e a concorrência intercapitalista. O professor Dirceu Grasel (1996) acrescenta ainda:

"Para Kalecki, o investimento em capital fixo privado numa economia capitalista desenvolvida é determinado pela poupança dos capitalistas, pela diferença entre investimento efetivo e necessário e pela influência direta do progresso tecnológico."

Outro destaque para a teoria kaleckiana é o que ele chama de risco crescente do qual estão submetidos todos os capitalistas. Na teoria clássica, as decisões de investimento parecem ser automáticas, basta que seu custo diminua e que os fatores de produção estejam disponíveis para que o investimento se realize, Kalecki combate essa ideia argumentando que a decisão de investir não é automática e é levada em consideração do risco crescente, que se eleva com o aporte de capital em posse dos agentes econômicos.

Os determinantes do investimento para Keynes

Em sua análise, Keynes considera que o investimento e o emprego são voláteis. Uma interpretação de suas ideias nos leva a concluir que os agentes estariam em permanente estado de decisão, ou seja, a todo o momento as expectativas transformavam-se. Aliás, são as expectativas que marcam a teoria keynesiana, e possuem um papel fundamental nas decisões.

Keynes acredita que o investimento será expandido até o ponto onde a eficiência marginal do capital se iguala a taxa de juros. Para o autor, o principal determinante do investimento passa a ser a eficiência marginal do capital (EMC), que corresponde à expectativa de lucro, dada a expectativa de demanda efetiva. Neste caso, o investimento seria resultante de um estudo comparativo entre a EMC e a taxa de juros de curto prazo.

Assim compreendidas, as ações dos agentes econômicos relacionariam com o que ele define como “estado de confiança”, em outras palavras, as decisões dos agentes basear-se-iam no estado atual do cenário econômico. Esse argumenta vai de encontro com a ideia de Kalecki sobre a reprodução de decisões passadas. Assim, Keynes considera a EMC extremamente dependente das expectativas dos agentes.

Considerações finais

Keynes e Kalecki estavam do outro lado da teoria de determinação da renda no que se refere ao pensamento clássico. Se para esses últimos a única barreira ao crescimento são os recursos disponíveis – já que os agentes são racionais e sempre irão maximizar seus lucros – os dois outros autores defenderão que as decisões de investimento não são automáticas e dependem de diversos fatores.

Os referidos autores defendiam que o aumento dos salários poderia provocar o aumento da produção, ao contrário da visão clássica.

Apesar de em um primeiro momento, as teorias kaleckiana e keynesiana parecerem idênticas, temos que ponderar suas diferentes formações acadêmicas. Convergiam, por exemplo, no efeito da taxa de juros sobre o investimento, mas discordavam, entre outras coisas, sobre o modo como as decisões eram tomadas.

Referências

GRASEL, D. Determinantes do investimento no Brasil: 1980/90. Dissertação de Mestrado (Mestre em Engenharia de Produção). Departamento de Engenharia de Produção d Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1996.

ARTHMAR, R. Pigou e a Revolução Keynesiana. XXXIII Encontro Nacional de Economia. Natal, 2005.

OREIRO, J. L. Teoria (Pós) Keynesiana II: A Natureza da Posição de Equilíbrio na Teoria Geral de Keynes. CBE 2009 – Teoria (Pós) Keynesiana II. 2009. Disponível em: < http://lmgx.wordpress.com/2009/09/22/teoria-keynesiana-2/>. Acesso em: 10 de out. 2007.

LIMA, G. T.; SICSU, J. Macroeconomia do Emprego e da Renda. 2003.


Editado em 19 de junho de 2010


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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

As contribuições de Marx

Os críticos do marxismo, que na sua maioria não possuem embasamento teórico sobre o autor, utilizam de uma mesma argumentação. É comum dizer que as teorias de Marx para nada servem, que não há aplicabilidade em sua análise e que no mundo atual, de nenhuma serventia tem o referido autor.

Aqui não me manifesto a favor dessa corrente, tampouco acredito na efetivação das ideias marxistas. O fato é que os mesmos que se valem desses argumentos, são por vezes adeptos da corrente predominante e dominante, o neoclassicismo.

A crítica sempre recai ao fato de que ideais comunistas, socialistas e afins, não podem ser colocados em prática, já que inúmeros fatores os impedem. Portanto, qual a finalidade de se ministrar disciplinas como economia política ou outras relacionadas com a corrente marxista? Por vezes, toda corrente heterodoxa é considerada um bloco de pensamento indissociável. Observo artigos de graduandos que repudiam como fosse algo imperdoável ter uma posição não ortodoxa.

Toda teoria, quando possui a pretensão de explicar determinados fenômenos econômicos, é baseada em paradigmas. Premissas que fundamentam toda corrente de ideias. Um comentário, e bem observado a meu ver, é que admitindo os paradigmas neoclássicos fica muito difícil quebrar sua teoria. Os grandes críticos da teoria neoclássica, notadamente Keynes, de maneira geral não atacaram a doutrina vigente derrubando suas premissas. Algumas delas foram questionadas, mas nada de muito radical.

Os praticantes das referidas críticas, geralmente, tem uma inclinação pela teoria ortodoxa, seja esta neoclássica, monetarista ou qualquer uma relacionada. O que me impressiona nisso é que suas criticas podem ser usadas pelos seus opositores teóricos. Tentarei explicar melhor.

A corrente ortodoxa como um todo, tenta através de inúmeros modelos matemáticos ou não, “fotografar” diversos aspectos da economia. A partir dessas fotografias podem analisar diversos fenômenos. O modelo de estáticas comparativas é o mais comum.

O termo caeteris paribus é usado com frequência nos mesmos, durante todo nosso período acadêmico desconsideramos inúmeras variáveis exógenas, que apesar de parecer, a maioria está longe de ser irrelevante. Uma resposta simples a esta critica seria que é impossível inserir todo o funcionamento de um sistema como um todo e todas as suas variáveis em um único modelo, em um único gráfico bidimensional. A questão não passa por ai, o revoltante muitas vezes é que os acadêmicos - também economistas formados - que nunca tiveram uma ideia empírica de como funciona um mercado, tentam e aplicar por completo seus conhecimentos adquiridos nas leituras dos manuais de micro e macroeconomia.

Tenho essa sensação toda vez que leio um artigo de uma graduando, geralmente criticando basicamente o Estado e a heterodoxia, e exaltando o livre comércio e as nações hoje desenvolvidas. Chegam ao senso comum no qual a maior parte de suas ideias me parecem copiadas um dos outros.

Questiono-me, muitas vezes, onde poderei usar os conceitos macroeconômicos ortodoxos, onde observarei com total clareza uma economia caminhando para o produto natural, onde as expectativas podem ser mensuradas, onde o capital é dado, onde as variáveis que interferem no nível de investimento são renda, juros e expectativas apenas. Esse tão sonhado mundo não me pertence. Queria também um dia gozar da possibilidade de mensurar a minha utilidade marginal para poder maximizá-la, seria o empregado mais bem pago se pudesse quantificar os custos marginais e determinar o lucro máximo de uma produção.

Meu objetivo é ser o mais breve nessas considerações, talvez por isso não tenha sido claro, mais dois pontos são fundamentais:

A teoria neoclássica é a predominante, mas não funciona da forma como foi concebida, e isso todos esquecem, portanto os manuais não são capazes de retratar a realidade, então para que servem?

A teoria ortodoxa não esta incorreta, apenas avalio o erro e a precipitação de alunos e profissionais ao desejar aplicar na integra todo seu conhecimento.

Se o mundo de Marx não existe, talvez não devêssemos estudar. E se o mundo dos neoclássicos não existe, para que servem suas teorias?



Editado em 15 de junho de 2010
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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Colóquios



Ao ter o contato pela primeira vez com a teoria de Marx, pediram-me para fazer uma analise do que havia aprendido. Escrevi de maneira rápida, mas que expressava o que acreditava. Hoje algumas opiniões persistem, mas outras não. Aqui vai o comentário:

Dialética é a arte de dialogar e compreender as ideias contrárias. Entender que a vida é dinâmica e que os aspectos históricos têm interferência nas teorias. Esse método permite a mudança de conceitos e a contradição entre eles. Parece que Marx expõe suas ideias e admite que elas possam ser passíveis de erro. Ao empregar a dialética ele se dispõe em diversos momentos a aceitar momentaneamente as ideias contrárias e prová-las, porém quando não o consegue, observa sua falha e sustenta sua ideia anterior. O mais cômico, no entanto, é que seus seguidores parecem não usar dessa ferramenta de seu mestre, defendem bravamente suas ideias e chegam a ridicularizar criticas de discípulos e outros mestres. Portanto, para eles Marx é possuidor da verdade absoluta e tornam se, a meu ver, pessoas arrogantes e sem argumentos próprios.

Teorias são importantes em diversas ciências, principalmente nas ciências humanas, são elas que norteiam as ações a serem executadas, de acordo com a crença em uma determinada teoria. Em economia, teorias são abundantes, algumas, para os universitários que têm o primeiro contato com elas, são fora da realidade. Com o olhar de quem começa o curso, ainda no terceiro período, acredito em uma fusão de ideias de diversos pensadores. Ainda não encontrei aquele que eu pudesse um dia chamar de “mestre”. Dos inúmeros autores que vimos os que mais chamam atenção, talvez pelo seu antagonismo, são Karl Marx e John Keynes. Os demais contribuem com ideias que ate hoje prevalecem. Existem os clássicos, os neoclássicos e variações dos dois.

Por que a critica à Marx? Ora, é exatamente sobre ele que vimos com mais atenção na universidade, é dele que fazem idolatria, e dele que conhecemos mais.

Todos nós sabemos que vivemos no sistema capitalista, não é nem de longe o melhor dos sistemas e não acho impossível o surgimento de um sistema alternativo. Não quero de forma alguma ser o “advogado do diabo”, mas as criticas até então vistas feitas por Marx parece loucura.

Ao ler o capital, pelo menos ate o capitulo XXII, temos um misto de sensações, um Marx brilhante, ultrapassado, atual, louco, altista, autista, etc. Algumas de suas terias são validas sim, mas no tempo dele. Ele mesmo defende que o mundo e dinâmico e pode haver alterações. Outras teorias são válidas também, mas se consideradas os conceitos que ele mesmo inventa. Outras é a mais pura obviedade, algumas uma completa loucura e finalmente algumas tem algum sentido.

O capitalismo não é e nunca será o sistema perfeito, e nenhum dos sistemas já existentes foi, nem pior nem melhor, apenas diferente.

Lembremos-nos do modo de produção asiático onde o povo era o servo do Estado, onde ninguém era possuidor de nada e que uma pequena minoria obtinha todos os privilégios. O mundo Romano onde a sociedade era divida em plebeus e patrícios, romanos e bárbaros, onde também uma pequena classe se valia de poder. O feudalismo, onde o servo não possuía liberdade e era massacrado pelo seu senhor, que gozava de diversos direitos. Por que não lembrar o mais fracassado dos sistemas, o Socialismo, onde a conversa sempre é a mesma, “defenderemos os interesses da maioria, dos operários e dos mais pobres”. Mas no final das contas tudo se resume em ditadura, opressão, perda de liberdades individuais e crises financeiras profundas, parece que o velho Hugo Chavez não estudou isso.

Existe uma premissa do capitalismo que diz que o trabalhador deve ser livre, livre para vender sua força de trabalho para quem quisesse e livre de meios de produção. Meu amigo Marx contesta essa liberdade, dizendo que neste sistema o trabalhador não e livre, pois ele se encontra obrigado a trabalhar para manter o seu sustento, alimentando assim a maquina capitalista. Isso é bem verdade e não há como contestar, mas espera ai, até os índios são obrigados a caçar para manter seu sustento, será que podemos contestar sua liberdade?

Até o já referido capitulo, O Capital chama bastante atenção para a famigerada mais valia, nestes momentos ele é capaz de gerar uma revolta anticapitalista e ainda dizer que não é por ai. Fulano de tal investe R$ 100,00 em sua empresa, desse valor paga 50 reais para seu funcionário, ou seja, o funcionário é “dono” de metade daquilo que produziu, mas seria dono de 100% se fosse aquele velho artesão da idade media e moderna. Diz ainda que se fulano de tal comprar uma maquina e aumentar sua produção, a participação do funcionário na receita diminui, e o capitalista ganha através da exploração do trabalhador. Ora pensava meu querido Marx no justo? Aplicava meu querido capitalista em uma empresa e deveria dividir meio a meio com seus funcionários?

Em algumas vezes, o nosso autor recorre à famosa acumulação primitiva, que esta contida o acúmulo de riqueza de maneira imoral. Será que não me avisaram, mas acho que não é o único sistema que fazia isso, pilantra existe desde as épocas bíblicas.

Para finalizar ele demonstra inúmeras características enraizadas no capitalismo, um sistema que nasceu doente e só morrendo terá a cura.

Concordo plenamente que o capitalismo é um sistema injusto e muitas vezes cruel, e não argumento a favor dele por serem outros sistemas tão ruins quanto. Só acredito firmemente que algumas características atribuídas ao capitalismo, são características humanas, presas a nós, mesmo que inventemos outro sistema. Mas do que a teoria, eu levo serio seus argumentos. Marx pode estar totalmente correto em suas conclusões, mas o como ele chega até elas, que às vezes é meio ilógico.

Certa vez ouvi uma frase de meu professor que não me esqueço: “cadê o mundo dos neoclássicos?”. E eu me pergunto: “cadê o mundo de Marx?”.

Talvez Hugo Chavez saiba...


Ou não...



Editado em 15 de junho de 2010
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O homem e suas fórmulas

A curiosidade humana nos faz buscar sempre as respostas sobre o mundo, é a partir dessa busca que nasceram as ciências. Seja proveniente de estudos empíricos ou teóricos, aceitamos diversas argumentações e chamamos de leis, paradigmas etc.

Hoje os avanços da ciência tornam-se, por vezes, essenciais para a sobrevivência da espécie humana. Ciências Humanas, Sociais, Naturais, Exatas e entre outras, em conjunto tentam explicar toda a complexidade desse mundo em que vivemos.

Um aspecto muito interessante da economia é a possibilidade de entender vários ramos de ciências diferentes, psicologia, filosofia, antropologia, sociologia, matemática, estatística, história e outros. Por esses e outros motivos, torna esse ramo complexo de estudar e por vezes abstrato.

Diversos pensadores das doutrinas econômicas tentaram apelar, em seu caráter positivista, para explicação das variáveis econômicas a partir de relações advindas da Ciência Natural. À medida que o tempo passa, acompanhamos o progresso dessa ciência, algumas leis são até revistas. Mas no mundo natural que rege a física, química e biologia, as mudanças, na sua maioria, provem de pesquisas mais aprofundadas e reparação de equívocos. Não é comum, no entanto, perceber tantas exceções como no campo social.

Um exemplo é a lei da gravidade, por mais que se descubram motivos diferentes para explicá-la, o comportamento em condições normais de um objeto que cai do 10° andar de um prédio será o mesmo. Não existirá, portanto, um local no interior da Turquia onde um objeto caiu e ao invés de ir ao chão, deu mil piruetas e ficou flutuando pela terra.

A meu ver, essas explicações físicas para o mundo econômico são equivocadas, pois existem inúmeras variáveis que ao contrario do que propõe os amantes da econometria, não podem ser expressas em formas de equações e gráficos bidimensionais. Muito menos tornar todas as outras variáveis que não se tem informações sobre as mesmas constantes.

Pela pouca experiência que tive nos dois ramos, não acho possível que uma ciência explique outra. Ciência Natural explica os fenômenos que tangem aspectos naturais, e assim também ocorre com o Social. Uma ciência não possui ferramentas adequadas para explicar outra, e nem é satisfatório suas adaptações.

A consequência disso é o que os graduandos de economia observam desde o inicio acadêmico, o nível de abstração que tratamos a realidade. O resultado é que passamos anos na universidade sem poder usar a maior parte dos instrumentos que adquirimos em nossa formação. Frustrante o fato de ver os modelos que não se aplicam ao mundo econômico, e o mundo de faz de conta de alguns teóricos.

Concordarei que é impossível colocar as infinitas variáveis que regem o social, porque o ser humano é imprevisível e não se comporta da mesma forma em situações iguais. Porém, o que incomoda é a tentativa de muitos, usarem puramente explicações matemáticas para um mundo que não tem regularidade e não obedecem a uma função trigonométrica.

As expectativas e os agentes racionais que tomam decisões previsíveis, que possuem todas as informações de que desejam, o seu caráter maximizador, a função de produção, as incalculáveis receitas marginas, custos marginais, isoquantas etc.

Não quero defender uma extinção desse método, e reconheço a importância deles. Apenas defendo que se afastemos desse nível de abstração sempre que possível, e levamos em consideração que o ser humano não pode jamais ser considerado matematicamente, muito menos uma sociedade e seus fenômenos. Por mais que a lei de demanda e oferta pareça obvia, os agentes que se relacionam não seguem fórmulas alguma e nem possuem conhecimentos completos.

Editado em 15 de junho de 2010
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domingo, 16 de setembro de 2007

Primeiras noções de Keynes



Um dos primeiros autores que me identifiquei no começo de minha peregrinação acadêmica foi ilustríssimo senhor John Maynard Keynes. Que neste presente trabalho não terei a preocupação de tratar de sua biografia. O objetivo é organizar as idéias principais que captei de sua obra.

Uma das grandes percepções de Keynes foi pregar que o gasto público é a solução do Estado em tempos de crise. Keynes é conhecido pela sua política de curto prazo, em sua célebre frase diz: “no futuro todos nós estaremos mortos”. Dirá, então, que se o governo em tempos de recessão aumentar seus gastos, isso acarretará em expansão da demanda, induzindo a produção, aumentando o investimento, o emprego e consequentemente a renda. O aumento dos gastos, porém, não deve vir acompanhado de aumentos da tributação, seria um tiro pela culatra.

Quando o governo trabalha com déficits públicos, sua intenção é aumentar o consumo e expandir a economia. Quando esse reduz os gastos, seu interesse é conter a inflação.

A crítica sobre este ponto está no fato de mesmo que a demanda aumente, o investimento requer tempo, por tanto a oferta não acompanha. A política de gastos públicos seria por tanto, uma política inflacionaria. Outro argumento que o aumento do investimento exige empréstimos, que provocam um aumento da taxa de juros que bloqueia por sua vez a expansão.

Keynes traz conceitos importantes para o mundo econômico, com a preferência por liquidez, para transação, especulação ou precaução; e propensão marginal a consumir, um dos seus paradigmas que utilizará para defender sua tese anti-neoclássica.

Um dos pontos discordados por Keynes sobre a teoria neoclássica, é o preceito de auto-regulação do mercado. O autor defende que nem sempre isso ocorre, e muitas vezes o Estado deve intervir. Isso através do controle de moedas e do crédito, aplicação de políticas tributárias de seguro social com fins econômicos e a realização de grandes obras públicas.

Portanto, o autor repudia o laissez faire e o equilíbrio único no pleno emprego. “Quando a procura é deficiente gera-se o desemprego, e quando a procura é excessiva gera-se a inflação” A insistência dos neoclássicos em defender que o equilíbrio só ocorre no pleno emprego, leva o conceito famoso da demanda efetiva. Pleno emprego aqui definido como sendo a quantidade de emprego além do qual, novos aumentos na procura efetiva não aumentam o volume da produção nem o emprego.

A demanda efetiva também tenta desmistificar, aquela teoria que por muito tempo foi hegemônica, a Lei de Say, que propõe que toda a oferta cria a sua demanda. Keynes vai propor que o equilíbrio pode ocorrer ou não no pleno emprego, e ainda que no pleno emprego pode ocorrer ou não o equilíbrio. Para Keynes a produção é determinada pelos gastos, se aumentar a produção e a demanda não acompanhar a produção se ajusta.

Por fim outro ponto a se considerar é a importância do investimento para Keynes. Pois o emprego esta diretamente relacionado com a produção do sistema (quanto maior a produção menor o nível de desemprego), essa produção pode ser ampliada com a expansão do consumo e do investimento (demanda efetiva). No entanto, a grande variável responsável pela expansão da demanda, que impulsiona a produção e consequentemente a renda do sistema, é o investimento.


[REVIEW] O último parágrafo foi modificado, agradecimentos ao meu amigo de curso David [09/10/2007]
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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Neoliberal? Eu?

O pensamento neoliberal é derivado da corrente ortodoxa, inspirado nas idéias de Milton Friedman sendo reestruturação das idéias liberais dos economistas clássicos. A base do pensamento neoliberal é um Estado que deve ter participação mínima na economia.

Como um leigo, mas bom observador, não consigo compreender que existam pessoas que ainda acreditam na idéia que a ausência total do Estado tornaria as coisas melhores.

A auto-regulação do mercado realmente funciona?

Realmente acredito que o mercado tem poder de controle, acredito também que decisões políticas atrapalham em certas vezes o rumo da economia.

O tratamento mais radical que se dá nesse sentido é de que o governo deve se preocupar unicamente com a segurança nacional e serviços básicos sociais.Para isso aceitemos que não seria o fim dos impostos, por exemplo, porque se não como poderias o governo financiar esses serviços?

Como seria a total ausência de controle do Estado nos aspectos econômicos?

Fusões, oligopólios, monopólios, superexploração dos preços, descontrole sobre direitos trabalhistas e entre outras coisas.

Pode parecer besteira, ou radicalidade, mas argumento essas outras hipóteses, mas isso não caberia no pequeno espaço.

A prova de que o neoliberalismo é um pensamento de domínio é de que os paises hoje tidos como os mais desenvolvidos do mundo, adotaram políticas protecionistas para se desenvolver. E ainda quando se trata de seus interesses ainda o praticam.

Um exemplo disso, é o presidente do Brasil Luis Inácio Lula da silva, que busca em reuniões internacionais o fim do subsídio, por parte dos poderosos, de produtos agrícolas.Quando o que está em questão são os pobres, empurram doutrinas neoliberais, argumentando que devemos ter um mercado de livre concorrência.

Outro fato curioso, é que todas as vezes que o sistema econômico está em crise, a solução encontrada se baseia em instrumentos interventores, como se o neoliberalismo não fosse capaz de resolver tais conflitos.

Muito estranho, mais estranho ainda é que pessoas neste país que não ganham nada com isso, ainda apóiam essa ideologia, isso é que chamo de ignorância.Saber o que é e defender sem beneficiar.


Reeditado em 02 de abril de 2008
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Fim do Mundo




Será que é o fim do mundo?

Tudo de cabeça para baixo.

É mulher que mata o marido, filho que estupra a mãe, pai que espanca a filha...

Certo dia na faculdade ouviu o seguinte:

“Com a grande disparidade social, as pessoas ficam cada vez mais preocupadas e aquelas que não possui quase nada, passam para o mundo do crime. E você que que talvez tenha alguma coisa a mais, passa a ser alvo destes mortos de fome, pobres coitados, vitimas da exclusão e da falta de oportunidades.”

Tudo bem.

Acreditemos nisso. E os fatos mencionados no começo do texto? É a pobreza que leva tais situações e muitas outras ainda não mencionadas. E como se justifica aqueles jovens abastardos que espancaram uma domestica em um ponto de ônibus achando que era uma prostituta? O que dizer destas festas em que esses playboyzinhos se drogam e saem pelas ruas cometendo suas barbáries? O que falar destes mesmos infelizes que participam do tráfico?

Vem àquela mesma pergunta, eles precisam disso?

Me disseram uma vez que eu trabalho com exceções.

Será?

Cada vez me convenço que não. Não acredito que exceções apareçam assim com tanta freqüência.Mas ta, e daí, escrever e escrever é muito fácil. Se indignar e mostrar a sua revolta é muita mais fácil ainda. Se lerem o meu blog e no post sobre contradição perceberá o que eu to falando.

Enfim, sei que não adianta mostrar minha indignação e não mostrar soluções e se não tiver soluções é melhor ficar calado. Mas não é uma fuga pela tangente, mas esse problema não tem soluções tão simples.

Existe uma teoria no campo a economia que diz que o Estado deve ter sua presença mínima nas questões econômicas. Outros radicalizam, dizem que o único papel do governo é cuidar da segurança. Confesso que me atrai certos pensamentos dessas correntes, mas não por completo. Sei ainda, que é papel sim do Estado cuidar da segurança, mas o problema deve ser tratado pela raiz.E acredito que a raiz desse problema não e totalmente influenciada pelas decisões do governo. Acredito que elas estejam na família, na educação e no exemplo. Posso ter opiniões antigas, mas pelas minhas observações não acredito que esteja enganado.Não acredito, no entanto, que os pais sejam culpados pelas atitudes dos filhos, é claro que há uma responsabilidade, mas não única.

O que venho tentando dizer, é que não adianta aumentar contingente de policiais, penitenciarias, criarem leis mais severas e etc. (funções do Estado). Mas sim evitar que os cidadãos se tornem criminosos.

Como? Avaliando qual é o motivo do mesmo?

Parece difícil? E é... Mas pior ainda é ficar sentado assistindo a Fátima e o Willian nos passando noticias umas mais aterrorizantes que as outras.Ficar numa cadeira digitando protesto não adianta mesmo...

Você tem filho? Eduque.

Você tem irmão, amigo ou alguém que precise de uma conversa legal? Converse.

Você sabia que alguém do seu lado precisa de ajuda? Descubra.

Você não pode mudar o mundo, mas pode mudar o mundo que está em sua volta. Pelo menos eu to tentando.