segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Agrupar e destruir

Todos os indivíduos são propensos a se agruparem em grupos que compartilham da mesma característica. Esse movimento deve ser considerado como natural, afinal, todos os animais preferem acompanhar indivíduos semelhantes e enfrentá-los aqueles que não pertencem ao seu grupo.

Os seres humanos preferem se agrupar de modo a formar um só corpo, independentemente do tipo de característica a ser considerada. Pode ser seu time favorito, seu estilo musical, sua posição política ou ideológica ou sua nacionalidade. E da mesma como forma como os animais, os grupos se enfrentam de forma furiosa. Um indivíduo será considerado como inimigo somente por ser diferente.

Esse ataque é nomeado de formas diferentes, racismo, preconceito, discriminação, intolerância e entre outros. Mas se o movimento de agrupamento é natural e o que nos diferenciaria dos demais animais seria exatamente a capacidade de viver em sociedade aprendendo a lhe dar com as diferenças entre os indivíduos.

A conclusão que podemos inferir desse processo é que não somos tão superiores assim.

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Não julgueis para não se aposentar

Poucas coisas são tão socialmente aceitas como denegrir a imagem de políticos. Falar mal de desses agentes já virou um espécie de hobby e consiste na única ferramenta de ação de muitas pessoas que acreditam ser politizadas, quando na verdade não passam de papagaios de piratas e repetem tudo o que já está sendo dito.

Deputados, ministros, senadores, presidente e entre outros titulares do poder democrático brasileiro não são tão poderosos como muitas pessoas pensam. Esse elenco necessita da aprovação periódica da sociedade através de um fenômeno conhecido como eleições. A escolha pelos melhores representantes e o acompanhamento de suas ações durante o mandato é um dos sinais máximos de patriotismo. Mas, este termo é confundido com ato de pintar caras de verde-amarelo em jogos de futebol.

Muito pobre é um povo que acredita que manifestações em redes sociais, nas ruas e vandalismo de diversos graus é um método politizado de lutar por algum ideal. Antes de criticar quem está lá, faz-se necessários que decida com consciência quem estará lá. Mas se máxima é que nenhum político é honesto, então por que se indignar?

A carta magna de 1988 inicia com os dizeres “todo poder emana do povo”. A mais importante das lições da Constituição não é bem compreendida por nossa sociedade. Os titulares do poder só estão lá por vontade da sociedade, se lá permanecem após revelações claras de desonestidade, falta de caráter, imoralidade e outros adjetivos pouco gloriosos é porque a sociedade assim o permite.

O primeiro passo para a mudança desse cenário é primeiro, acreditar que é possível mudar. Depois, assumir a responsabilidade pelos nomes escolhidos e por seguinte, acompanhar e protestar de maneira inteligente sobre os atos praticados por quem toma decisões nesta nação. Talvez, quando deixarmos a comodidade de nossos sofás poderemos mudar alguma coisa nesta nação.

A mesma Constituição atribui as competências dos poderes, o Executivo está sob fiscalização do Legislativo, sendo julgado pelo Judiciário e escolhido pelo povo. O Legislativo é fiscalizado por órgãos de controle interno, julgado pelo Judiciário e escolhido pelo povo. Todavia, o Judiciário não é escolhido pelo povo, pouco sofre pressão dos poderes Executivo e Legislativo, e seus órgãos de controle interno são muitas vezes corporativistas e injustos.

Assistimos com revoltas às cenas de corrupção praticados pelos servidores das casas legislativas e da presidência, mas por alguma estranha razão não nos comovemos com a descarada manifestação de magistrados em impedir que haja mais controle sobre este “poderoso poder”.

Servidores efetivos quando cometem algum ilícito são julgados, podem perder seus cargos, serem impedidos de ingressar no serviço público por determinado prazo e até serem presos. Titulares de cargos políticos podem ser cassados, punidos e até presos caso cometam alguma irregularidade ou ainda podem ser alijados do processo eleitoral nos anos seguintes. Todavia, por uma razão minimamente criminosa, juízes condenados por atos ilícitos poderão sofrer a pena máxima da aposentadoria com recebimento de proventos proporcionais ao tempo de trabalho.

Reflita como isso é tão repulsivo. As pessoas se revoltam quando alguém comete um crime e não vai a julgamento ou quando o mesmo a sentença não se revela proporcional ao ato praticado. Acrescente-se que o autor é conhecedor da leis e sua atividade foi julgar outros indivíduos. A aposentadoria, em outras palavras, é recompensar o infrator com um descanso remunerado. Diga-se, dinheiro oriundo da sociedade.

O medo de outro órgão fiscalizando os magistrados é derivação do dito popular “quem não deve, não teme”. E nesse caso, eles devem e devem muito. Não bastando tudo isso, podemos afirmar senhoras e senhores, que caso o poder Judiciário se torne um poder intocável e inabalável não há nada que você sentado aí na sua cadeira possa fazer. Ou pretende recorrer ao STF?

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

É na escola que agente aprende

Há algumas semanas atrás eu disse no que uma pessoa pode ler artigos científicos, acompanhar entrevistas importantes nos sites e televisão, mas o fato dessa mesma pessoa se ocupar ocasionalmente com conteúdos humorísticos ou informais de qualquer espécie não a torna menos inteligente.

Eu, por exemplo, sou um admirador dos programas, blogs e outros conteúdos de humor e nem por isso me sinto inferior. Essa admiração surgiu desde o famoso programa estrelado por Chico Anysio, “A Escolinha do Professor Raimundo”.

Ocorre que tenho observado que nos últimos anos a televisão está sofrendo um ataque estranho de alguns grupos da sociedade. Estamos na onda do “politicamente correto” na TV enquanto impera a imoralidade na vida real.

Acusamos muitas vezes nossos pais de serem caretas, antiquados e etc. Parece que a verdade não é bem essa a verdade, a tolerância com alguns assuntos eram maiores.

Hoje nossa sociedade demoniza o homossexualismo, mas aceita com naturalidade o assalto dos “homens do governo”. Sexo na TV é um escândalo, menos no carnaval onde tudo é permitido. Trinta minutos para compreender quem são as pessoas que irão nos representar é perda de tempo, mas 24 horas para assistir a casa mais vigiada do Brasil é sensacional.

Abaixo, fiz uma seleção de alguns personagens, que se fossem lançados nos dias atuais seriam sumariamente censurados por esta nação de pessoas éticas e distintas.

Gaudêncio

Seu Gaudêncio. O estereótipo do gaúcho machão que não convence. Poderia ser interpretado como uma ofensa a todos os cidadãos do estado do Rio Grande do Sul.

seu peru

Seu Peru. Se estereótipo foi muito usado na Escolinha, ele sem dúvida foi sua obra prima. Um personagem engraçado que exagerava no tom. Seu Raimundo seria acusado de homofobia a cada injúria dita em sua aula.

Suppapau Uaçu

Suppapau Uaçu. Nos tempos atuais, a FUNAI poderia pedir que o personagem fosse retirado do programa. Sua apresentação caracterizava-se pela ideia de que o índio era mais esperto do que pensávamos.

Samuel Blaustein

Samuel Blaustein. Quem nunca ouviu falar da fama de um judeu. Avarento e em busca de lucro a todo custo. Sabemos que toda a generalização é perigosa e esta não é uma exceção.

CATIFUNDA

Dona Catifunda. Essa simpatia de pessoa certamente não seria censurada, na verdade ela nem poderia ser interpretada, visto que nos tornamos avessos ao fumo. Fumar nem na piada.

cacilda

Dona Cacilda. A divertida personagem ninfomaníaca provavelmente não seria um grande problema ainda hoje. Mas foi um exemplo da hipocrisia na afirmação em dizer que hoje os programas estão sem pudor.

Manoela D'Além-Mar

Manoela D’Além-Mar. Ela é uma derivação das antigas piadas de português. Inteligência é a única coisa que a personagem não possui. Uma afronta a toda nação lusitana.

armando volta

Armando Volta. Pior que ser tratado como um burro é ser considerado um povo desonesto. Este personagem conseguia um bom desempenho através de subornos ao ilustre professor.

Apesar do programa ter sido exibido somente nos anos 1980 e 1990, o mesmo era veiculado nas rádios em um formato bem semelhante há pelo menos 20 anos antes.

*Imagens do Google

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