Se alguém acompanha este blog, saberá que pouco comento por
aqui sobre os assuntos que enchem os jornais e timelines por todos os cantos. E isso ocorre não por mero acaso. Creio
que todas as informações disponíveis naquele momento são imprecisas, o calor
dos acontecimentos podem nos enganar. A melhor opção em meu caso que não sou
jornalista é observar e formar uma opinião mais cautelosa.
Bem, hoje me vejo obrigado a tecer um pequeno comentário
sobre as atuais manifestações ocorridas em várias partes do país. A despeito de
discordar radicalmente da maioria das reivindicações feitas e crer que muitos
caminhos estão incorretos, permito-me uma ponta de orgulho desses
manifestantes, pois ainda podemos acreditar que existem aqueles que se
encorajam no levante em defesa de uma causa, independentemente qual seja ela.
Devo destacar o desafio para o defensor da liberdade de
expressão, do defensor da liberdade de manifestação contra os atos considerados
abusivos por parte das autoridades governamentais. Esse verdadeiro defensor da
liberdade pode criticar as bandeiras levantadas (se é que existe alguma), mas não
ousaria apoiar qualquer ato repressor contra tais manifestantes.
Em meio a esse movimento generalizado, ficam em destaque os
revolucionários de mesa de computador. Aqueles que em sua poltrona,
compartilham mensagens e tecem criticas em suas redes sociais. Esses, com muita
razão, são acusados de desídia nos tratos políticos, por reclamarem e nada fazerem.
De certo, ainda, que essa não seja a realidade de todo esse grupo, afinal toda a
generalização é perigosa.
Se mudança, seja lá qual for, é o desejo das massas, eu
também quero mudanças. E posso dizer com toda a alegria que contribuo todos os
dias para que ela aconteça. Sou servidor público e sofro ataques diários por
lutar por moralização do serviço. Sofro por praticar ações em prol do bom uso
de recursos públicos (na medida do possível). Trato o cidadão com respeito e apanho
por não coadunar com o perfil dominante do setor.
Escolho da melhor forma meus governantes. Com todas as
deficiências do processo democrático, ainda busco melhores opções. Nenhum dos
meus escolhidos está envolvido em quadrilhas de desvio de verba ou fizeram
qualquer proposta que afronte descaradamente a Lei Maior desta nação. Diferentemente
dos legitimados detentores do poder atualmente.
Em meio aos manifestantes, enxergo pessoas que desejam uma
boa postura de quem está no poder, mas não empregam em suas vidas essa mesma
postura. Desejam representantes honestos, mas agem com desonestidade todos os
dias, através do celebrado jeitinho brasileiro.
Acho que pior que ficar à frente de um computador tecendo
críticas é achar que destruir o patrimônio alheio, cantar o hino nacional e
palavras de ordem são a maior prova de politização e glória que essa nação
merece.